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Ex-membros das Testemunhas de Jeová processam organização religiosa no Brasil

Ex-fiéis alegam abuso, ostracismo e restrições ao ensino superior em ação por danos morais
Sede da Igreja Testemunha de Jeová, em São Paulo. Foto: reprodução

Um grupo de ex-membros das Testemunhas de Jeová está reunindo documentação para processar a organização religiosa no Brasil. Os dissidentes alegam que sofreram danos psicológicos e morais devido a práticas institucionais da igreja, como o acobertamento de casos de pedofilia, pressão contra o ensino superior, humilhação pública e ostracismo social. A ação judicial, que pode contar com até 28 ex-fiéis, busca indenizações e reconhecimento dos prejuízos causados pela instituição.

Acusações incluem abuso e exclusão social

Entre as principais denúncias está a prática do ostracismo, que obriga membros a cortarem laços com familiares e amigos que deixam a religião. Essa política levou a Noruega a cancelar o registro da igreja em 2021, inspirando os dissidentes brasileiros a buscarem medidas semelhantes.

Casos de abuso sexual também são relatados. O psicólogo Lucas Vasconcelos, 24 anos, afirma ter sido molestado por um superior da igreja aos 15 anos. Já a estudante de jornalismo Mirela Costa, 25 anos, relata ter sofrido abuso aos 10 e 12 anos por dois membros da igreja e que, ao relatar o ocorrido, foi questionada se não estaria “apaixonada pelo agressor”.

Igreja nega acusações

A organização Testemunhas de Jeová nega todas as denúncias. Em nota, afirmou considerar o abuso sexual “um ato maldoso e repugnante” e garantir que segue as leis ao reportar casos às autoridades. Sobre o ostracismo, justificou que “os adeptos devem limitar o contato com aqueles removidos da congregação”. Quanto à proibição de transfusão de sangue, defende que a prática se baseia em “instrução bíblica” e foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como um direito constitucional.

Ensino superior e impacto na vida dos fiéis

Outro ponto levantado pelos ex-membros é o desestímulo à educação superior. Lara Prado, 27 anos, que deixou a igreja aos 23, lamenta não ter cursado história ou jornalismo por pressão da comunidade religiosa. “Perdi todas as pessoas com quem convivia. E, principalmente, perdi minha mãe. Ela está viva, mas me trata como se eu estivesse morta”, desabafa.

A mobilização do grupo segue crescendo, e os ex-membros esperam que a ação judicial traga visibilidade para os impactos psicológicos e sociais que alegam ter sofrido. Enquanto isso, a organização se posiciona contra as acusações, classificando-as como “inverídicas e caluniosas”.

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