A crise energética mundial, provocada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, atingiu em cheio o bolso dos brasileiros neste mês de março de 2026. O fechamento estratégico do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial, fez o preço do barril saltar para US$ 120, gerando um efeito dominó nas bombas de combustível do país. Segundo levantamento da ANP e do IBPT, o óleo diesel já acumula uma alta de 20% desde o início das hostilidades, com o preço médio ultrapassando a marca dos R$ 7,00 por litro.
A situação é crítica: entidades do setor, como a Abicom e o Sindicom, enviaram um ofício ao governo alertando para um risco iminente de desabastecimento a partir de abril. O motivo é a grande defasagem entre o preço praticado pela Petrobras e o mercado internacional, o que inviabiliza as importações necessárias para suprir os 30% da demanda nacional que o Brasil não produz internamente. Em resposta, a ANP declarou estado de sobreaviso e determinou que a Petrobras aumente imediatamente a oferta, recompondo leilões que haviam sido cancelados para reavaliação de estoques.
Ações governamentais e conflito com Distribuidoras
Diante da escalada de preços, o governo federal iniciou uma força-tarefa de fiscalização para conter o que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, classificou como “especulação criminosa”.
- Multas pesadas: Mais de 53 distribuidoras foram autuadas nos últimos três dias por aumentos considerados abusivos após vistorias em quase 1.200 postos.
- Proposta aos Estados: O ministro da Fazenda, Dario Durigan, propôs que os estados zerem o ICMS sobre a importação de diesel, com a União compensando 50% da perda de arrecadação. Até o momento, apenas o Piauí sinalizou adesão total.
- Polêmica das cotas: O CEO da Vibra, Ernesto Pousada, afirmou que a Petrobras sinalizou um corte de 20% nas cotas de combustível para abril. A estatal nega e garante que entregará o volume total contratado, operando suas refinarias em capacidade máxima.
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Impacto social: Greve de caminhoneiros e inflação
O diesel mais caro não afeta apenas o transporte; ele encarece o frete e, consequentemente, a cesta básica. A Warren Rena calcula que o impacto total dessa crise na inflação do consumidor brasileiro pode chegar a 8%.
A pressão sobre os caminhoneiros quase resultou em uma paralisação nacional nesta semana. No entanto, após a edição de uma Medida Provisória que endurece as multas para empresas que descumprirem o piso mínimo do frete (podendo chegar a R$ 10 milhões), a categoria decidiu adiar a greve. Lideranças dos motoristas têm uma reunião decisiva agendada com o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, na próxima terça-feira (24), para avaliar novas medidas de custeio e subsídio.


