O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou, nesta sexta-feira (20), o compromisso do governo federal em retomar o controle da Refinaria Mataripe, antiga Landulpho Alves (RLAM), localizada em São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano. A declaração ocorreu durante evento oficial ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Lula foi enfático ao afirmar que a reestatização do ativo, vendido em 2021 para o grupo Acelen (fundo Mubadala), é uma prioridade estratégica, embora tenha admitido que o processo pode não ser imediato. “Pode demorar um pouco, mas nós vamos [comprar]”, declarou o mandatário.
A movimentação faz parte de um plano mais amplo de autonomia energética. O presidente argumentou que o Brasil não pode ficar à mercê de instabilidades internacionais, como a atual crise no Estreito de Ormuz, que fez o preço do diesel disparar 20% nas últimas semanas. Para Lula, a Petrobras precisa expandir sua capacidade de refino e criar um estoque próprio de combustíveis, funcionando como um colchão de proteção para o consumidor brasileiro em momentos de guerra ou choques externos de preço.

Desde o início do atual mandato, a Petrobras vem estudando modelos de negócio para a recompra ou parcerias que devolvam a influência estatal sobre a unidade baiana. A Refinaria Mataripe é a segunda maior do país e possui uma localização logística fundamental para o abastecimento do Nordeste. A retomada da planta é vista pelo governo como uma peça-chave para implementar uma política de preços que desvincule, gradualmente, o custo interno dos combustíveis da volatilidade extrema do mercado de importação.
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Para os moradores de Santo Amaro, São Francisco do Conde e Candeias, a Refinaria Mataripe não é apenas uma indústria, é o coração econômico da região. A possível recompra pela Petrobras gera expectativas sobre a manutenção de empregos, investimentos em projetos socioambientais e, principalmente, sobre o impacto no preço do combustível nos postos locais.


