A Polícia Civil da Bahia trouxe a público, na noite desta quinta-feira (19), detalhes estarrecedores sobre a motivação da morte da adolescente Thamiris dos Santos Pereira, de 14 anos. Segundo o delegado Moisés Damasceno, a principal linha de investigação aponta para uma vingança orquestrada pelo tráfico de drogas. O mandante seria um criminoso que está custodiado no Conjunto Penal Masculino desde 20 de fevereiro, após ser preso por violência doméstica. Ele teria atribuído erroneamente sua prisão a uma denúncia feita por Thamiris, ordenando a execução da jovem como represália.
O homem preso na tarde de hoje no Jardim das Margaridas foi identificado como Rodrigo. Ele é vizinho da vítima — morava no andar de baixo da casa da mãe de Thamiris — e primo do suposto mandante. A investigação detalha que o detento no presídio suspeitava de uma traição da companheira e planejava matá-la, junto com o suposto amante. Quando a Polícia Militar interveio em fevereiro, o criminoso passou a acreditar que a adolescente teria sido a responsável por acionar as autoridades, selando o destino trágico da estudante que voltava da escola no último dia 12.
“Esse indivíduo, que se encontra preso hoje no Conjunto Penal Masculino, aponta ou apontou Thamiris como sendo a responsável por tê-lo denunciado. Então, o tráfico, pessoas que são seus soldados, podem ter praticado esse crime em uma espécie de vingança contra ela. […] O companheiro dessa mulher, antes de ser preso, ameaçava matar outro indivíduo. Ele suspeitava que a companheira o estava traindo com outro homem. Então, ele queria matar esse indivíduo e a mulher. Diante dessas ameaças, a Polícia Militar foi acionada, mas não se sabe se foi pela companheira ou por outra pessoa [supostamente Thamiris]. Ainda não temos todos os elementos e não podemos esclarecer todos os detalhes, mas a informação é de que eles atribuíram essa denúncia à adolescente”, explicou o delegado.
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A frieza do crime chocou os investigadores: enquanto o corpo de Thamiris estava desaparecido, Rodrigo permanecia no bairro simulando normalidade, apesar de morar a poucos metros da família da vítima. O corpo da jovem foi localizado na Estrada do Raposo, no Cassange, ainda com o uniforme escolar.
O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) agora trabalha para colher provas técnicas que liguem definitivamente os “soldados” do tráfico à execução, enquanto Rodrigo segue detido para prestar depoimento sobre sua participação direta na captura e ocultação do corpo da adolescente.


