A reunião da CPI do Crime Organizado no Senado, realizada nesta quarta-feira (18), foi palco de um intenso embate político envolvendo figuras de peso do cenário baiano e nacional. A pedido do senador Humberto Costa (PT-PE), o requerimento para a convocação do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), foi retirado da pauta de votação. A decisão ocorreu logo após o senador Sérgio Moro (União-PR) contestar duramente a medida, classificando-a como uma tentativa de “exploração política e eleitoral” sem conexão direta com o foco da comissão.
Moro subiu o tom ao afirmar que, se a CPI pretendesse investigar as relações do Banco Master com autoridades da Bahia, a investigação deveria ser ampla e não seletiva. O senador paranaense ameaçou exigir a convocação imediata do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do atual governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues. Segundo Moro, o governo baiano teria dado exclusividade ao Banco Master através do programa CredCesta, impedindo servidores estaduais de buscarem taxas de juros menores em outras instituições.
“Se vamos adentrar na questão da Bahia, então vamos convocar o ministro Rui Costa e o governador Jerônimo Rodrigues, que deu continuidade a essa relação do governo baiano com o Master”, disparou o parlamentar.
>>> Siga nosso perfil no Instagram. Clique aqui!
A justificativa de Humberto Costa para chamar ACM Neto baseia-se em um relatório do Coaf, que aponta o recebimento de R$ 3,6 milhões pelo ex-prefeito, por meio de sua empresa de consultoria, vindos do Banco Master e da Reag Investimentos entre 2023 e 2024. Costa busca esclarecer se houve tráfico de influência ou lavagem de dinheiro nessas transações. Apesar de ter retirado também os pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal do político baiano, o senador petista afirmou que pretende colocar os requerimentos em votação em reuniões futuras, mantendo a pressão sobre a oposição enquanto a “guerra de convocações” se instala no Senado.


