O Brasil vive um dia de expectativa e tensão logística nesta quinta-feira (19). Entidades representativas dos caminhoneiros realizam uma assembleia nacional no final da tarde para decidir se iniciam uma paralisação geral em todo o território nacional. O estopim do movimento é a escalada nos preços do óleo diesel, que já acumula alta de aproximadamente 18% desde fevereiro em alguns estados, impulsionada pela instabilidade no Oriente Médio e o recente reajuste de R$ 0,38 por litro anunciado pela Petrobras.
Além do combustível, a categoria denuncia o descumprimento sistemático do piso mínimo do frete — uma conquista histórica da greve de 2018. Segundo os motoristas, as transportadoras não estão repassando os custos da alta do diesel para o valor do frete, o que faz com que o trabalhador autônomo “pague para trabalhar”, absorvendo todo o prejuízo e zerando sua margem de lucro.
Os motivos da mobilização
- Preço do Diesel: Reajustes constantes e impacto da crise internacional (EUA x Irã).
- Piso do Frete: Falta de fiscalização e empresas que pagam valores abaixo do mínimo legal.
- Custos de Operação: Reivindicação por “pedágio zero” para eixos suspensos (veículos vazios).
- Abusos nos Postos: Crítica ao aumento imediato nas bombas logo após anúncios da Petrobras.
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A reação do governo Lula
Para evitar o fantasma do desabastecimento de 2018, o Governo Federal iniciou uma ofensiva de negociações e medidas emergenciais:
- Redução de Impostos: Anúncio de corte de R$ 0,64 por litro (somando PIS/Cofins e subvenção), embora parte tenha sido anulada pelo reajuste da Petrobras.
- Medida Provisória do Frete: O ministro Renan Filho anunciou para hoje uma MP que endurece a fiscalização. A ANTT poderá suspender ou cancelar o registro de empresas que descumprirem a tabela de frete.
- Investigação da PF: A Polícia Federal abriu inquérito na terça (17) para apurar aumentos abusivos nos postos de combustíveis em todo o país.
Quem vai parar?
O cenário ainda é de divisão, mas com adesões confirmadas. O Sinditac e a ANTC (Santa Catarina) já confirmaram a paralisação. Lideranças de São Paulo, Paraná, Goiás e Brasília adiaram a decisão para hoje após os acenos do governo. A orientação das associações, como a Abrava, é que os motoristas fiquem em casa ou parados em postos, evitando o fechamento de rodovias para não incorrerem em multas judiciais.


