
Prefeitos baianos propõem teto de gastos para shows e alertam: “São João pode acabar”
Principais Pontos do Post
- Prefeituras da Bahia enfrentam um dilema financeiro no São João devido à rápida escalada dos cachês de artistas.
- Prefeitos propõem a criação de critérios rígidos e um possível teto de gastos para contratações artísticas.
- O objetivo é frear os custos excessivos e garantir a sustentabilidade fiscal dos municípios.
- A proposta de padronização será encaminhada ao Ministério Público e Tribunais de Contas para balizamento jurídico e econômico.
- Em cidades como Jequié, os custos do São João aumentaram dez vezes em cinco anos, tornando a festa insustentável.
- Há um alerta de que, sem controle, municípios do interior não conseguirão manter a tradição em até três anos.
- Gastos excessivos com a festa ameaçam a oferta de outros serviços públicos essenciais.

A tradicional festa de São João na Bahia enfrenta um dilema financeiro que pode mudar os rumos dos festejos nos próximos anos. Prefeitos e prefeitas se reuniram na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), em Salvador, nesta quarta-feira (21), para defender a criação de critérios rígidos e um possível teto de gastos para a contratação de artistas. A intenção é frear a escalada dos cachês e garantir a saúde fiscal das prefeituras.
O presidente da UPB, Wilson Cardoso, destacou a disparidade de valores, citando casos em que um mesmo artista cobra cachês diferentes para cidades vizinhas na mesma época. Segundo os gestores, a proposta de padronização será formalizada e encaminhada ao Ministério Público da Bahia (MPBA) e aos Tribunais de Contas (TCE e TCM) para criar um balizamento jurídico e econômico.
Notícias Relacionadas
Alerta em Jequié e no Interior
Um dos discursos mais enfáticos foi o do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP). Segundo o gestor, o custo para realizar o São João aumentou dez vezes em apenas cinco anos, tornando a festa insustentável para municípios de pequeno porte. “Antigamente, com R$ 200 mil você fazia um São João razoável. Hoje, com esse valor, não se contrata nem a produção sonora para o palco”, lamentou Cocá.
>>> Siga nosso perfil no Instagram. Clique aqui!
O prefeito alertou que, se o ritmo de reajustes continuar, em até três anos nenhuma cidade do interior terá condições financeiras de manter a tradição.
“Se este ano for igual ao ano passado, os custos devem aumentar em cerca de R$ 5 milhões”, completou, reforçando que a despesa excessiva coloca em risco outros serviços essenciais das prefeituras.
Carlos Matos, prefeito de Riachão do Jacuípe, também corroborou a tese de que o entretenimento não pode inviabilizar a gestão pública.



