A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (3), a terceira fase da “Operação Overclean” para desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, desviar recursos públicos e praticar corrupção e lavagem de dinheiro. Os agentes cumpriram 16 mandados de busca e apreensão, além de uma ordem de afastamento cautelar de um servidor, nas cidades de Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Aracaju. As decisões foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os investigados está o ex-secretário de Educação de Salvador, Bruno Barral, que ocupou o cargo na gestão do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) e atualmente comanda a pasta de Educação em Belo Horizonte. A PF estima que o esquema criminoso tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de contratos superfaturados.
Esquema de fraudes e corrupção
Os investigados podem responder por corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça. A PF afirma que a organização criminosa era liderada pelos irmãos Alex Rezende Parente e Fábio Rezende Parente. Segundo as investigações, o grupo operava com uma estrutura hierarquizada e bem definida, onde cada membro desempenhava funções estratégicas para viabilizar o esquema.
Em dezembro de 2024, a primeira fase da Operação Overclean prendeu 17 pessoas, posteriormente liberadas. Entre os envolvidos, estava o empresário José Marcos de Moura, dono de empresas de limpeza urbana e apontado como um dos principais articuladores do esquema. Conforme a PF, Moura financiava as atividades criminosas e exercia influência política para expandir a atuação da quadrilha.
>>> Siga nosso perfil no Instagram. Clique aqui!
Desdobramentos da operação
Na segunda fase, realizada em 23 de dezembro, quatro pessoas foram presas, incluindo Vidigal Galvão Cafezeiro Neto, vice-prefeito de Lauro de Freitas, acusado de receber propina mensal do grupo. Em seis meses, ele teria recebido R$ 140 mil. Lucas Moreira Martins Dias, secretário de Mobilidade Urbana de Vitória da Conquista, também é suspeito de ter sido beneficiado financeiramente pelo esquema.
Outro investigado é Carlos André de Brito Coelho, ex-prefeito de Santa Cruz da Vitória, apontado como operador político do esquema. Ele teria recebido repasses superiores a R$ 1,7 milhão de empresas fantasmas criadas pelos irmãos Parente. Também é investigado o policial federal Rogério Magno Almeida Medeiros, acusado de vazar informações confidenciais da PF para a quadrilha em troca de propinas mensais.
A investigação segue em andamento, e novos desdobramentos são esperados nos próximos meses.