O Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA) formalizou, nesta quinta-feira (21), uma solicitação para que a Clínica Clivan, localizada em Salvador, mantenha suas atividades suspensas. A medida visa assegurar que a interdição perdure para além do prazo inicial previsto, estendendo-se até a conclusão definitiva das apurações sobre graves complicações oftalmológicas registradas em pacientes submetidos a cirurgias de catarata na unidade.
Embora o fechamento administrativo esteja programado para vigorar até 1º de junho de 2026, o conselho sustenta que a manutenção do bloqueio é indispensável para a integridade das investigações. O órgão reforça que o período é necessário para viabilizar a fiscalização rigorosa e o acompanhamento detalhado de todas as etapas do processo, mantendo alinhamento com as ações conduzidas pelo Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb).
Afastamento de profissionais e diligências policiais
O cenário jurídico em torno do caso ganhou novos contornos na quarta-feira (20), quando a Justiça determinou o afastamento imediato de três médicos. Os profissionais são investigados por supostas irregularidades cometidas durante a realização do mutirão oftalmológico nas dependências da clínica.
A Polícia Civil, responsável pelas diligências, cumpriu mandados de busca e apreensão no local. A ação resultou na coleta de documentos, registros médicos e equipamentos eletrônicos, que agora passam por perícia técnica para subsidiar o inquérito policial e esclarecer a extensão das falhas operacionais.
Impacto aos pacientes e busca por responsabilização
Os dados levantados pela Polícia Civil revelam a gravidade da situação: de um total de 138 idosos atendidos durante o mutirão, 33 apresentaram complicações de saúde severas. Entre os casos mais críticos, pelo menos 13 pacientes sofreram a perda parcial ou total da visão, gerando uma onda de indignação e preocupação sobre os protocolos de segurança adotados pela unidade.
Além da esfera criminal, que apura crimes contra a vida e a saúde dos pacientes, o CES-BA enfatizou a necessidade de suporte humanizado. O conselho exige que as vítimas e seus familiares recebam assistência médica contínua e acolhimento psicológico, garantindo que o dano causado pela falha no atendimento seja mitigado com responsabilidade e transparência. Mais informações sobre os direitos dos pacientes podem ser consultadas no portal oficial do Governo do Estado da Bahia.




