A liquidação extrajudicial do conglomerado Master resultou em uma movimentação significativa de capital dentro do Sistema Financeiro Nacional. Conforme dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (25), a maior parte dos recursos ressarcidos aos clientes das instituições do grupo foi realocada em bancos de maior porte, consolidando uma tendência de busca por segurança no mercado financeiro.
A análise consta no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) referente ao segundo semestre de 2025. O documento reforça que, apesar da magnitude do caso, o episódio não desencadeou efeitos sistêmicos adversos, mantendo a integridade e a solidez das operações bancárias no país.
Destino dos recursos e a concentração bancária
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) realizou o pagamento de R$ 37,7 bilhões aos clientes do Master, Master BI e Letsbank entre 19 de janeiro e 27 de fevereiro. Desse montante, R$ 20,77 bilhões foram aplicados diretamente em títulos emitidos por instituições financeiras, evidenciando a preferência dos investidores por ativos de menor risco.
As instituições classificadas como S1, que possuem ativos superiores a 10% do PIB ou forte atuação internacional, absorveram 40,9% dos valores. Paralelamente, os bancos S2, também de grande relevância sistêmica, receberam 24,2% dos recursos, confirmando a migração para o topo da pirâmide do setor bancário brasileiro.
Monitoramento e ausência de risco sistêmico
A autoridade monetária acompanhou de perto todo o processo de transferência de capital. O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, destacou que o monitoramento foi realizado de forma individualizada, garantindo transparência na movimentação dos valores.
O Banco Central reforçou que o conglomerado Master representava apenas 0,1% dos ativos totais do sistema bancário. O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, reiterou que o porte da instituição não oferecia risco sistêmico, comparando a relevância do banco a divisões inferiores de competições esportivas.
Solidez do sistema financeiro nacional
Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, marcado por juros elevados e um aumento gradual na inadimplência, o Banco Central assegura que o Sistema Financeiro Nacional (SFN) permanece robusto. Os testes de estresse realizados pela autoridade indicam que os bancos possuem capitalização e liquidez suficientes para enfrentar cenários adversos.
O relatório aponta ainda que a rentabilidade das instituições manteve-se estável no período. Embora o crédito tenha apresentado uma desaceleração tanto para famílias quanto para empresas, as provisões bancárias seguem adequadas para absorver eventuais perdas esperadas no mercado.
Evolução dos pagamentos digitais
Além da análise sobre a estabilidade, o documento destacou a ascensão contínua do Pix no cotidiano financeiro. A ferramenta consolidou sua posição no sistema de pagamentos, sendo responsável por 29% das transações realizadas no varejo durante o segundo semestre de 2025. Para mais informações sobre as diretrizes do setor, acesse o portal oficial da autoridade monetária.




