O Banco Central (BC) revisou para cima a expectativa de crescimento da economia brasileira para 2026, elevando a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,6% para 2%. A atualização, detalhada no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25), reflete um desempenho acima do esperado no primeiro trimestre e perspectivas mais favoráveis para os setores de agropecuária e indústria extrativa.
pib: cenário e impactos
O cenário econômico recente apresentou uma expansão de 1,1% no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Esse resultado positivo foi impulsionado por um crescimento disseminado entre agropecuária, indústria e serviços, o que levou a autoridade monetária a ajustar também as estimativas para o consumo das famílias e o volume de investimentos empresariais no país.
Dinâmica econômica e o impacto da política monetária
A revisão das projeções incorpora um maior dinamismo da demanda interna, estimulado por medidas de natureza fiscal e creditícia. No entanto, o Banco Central pondera que esse impulso pode ser atenuado pela trajetória das taxas de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou um ciclo de cortes na taxa Selic em março, situando-a atualmente em 14,25% ao ano, após um longo período de estabilidade em 15%.
A gestão da taxa básica de juros enfrenta desafios significativos devido às incertezas globais. O conflito no Oriente Médio tem pressionado os preços de combustíveis e alimentos, dificultando uma redução mais célere da Selic. O BC ressalta que, embora os efeitos diretos do conflito estejam concentrados nos preços, a instabilidade geopolítica eleva o nível de incerteza sobre o crescimento econômico futuro.
Projeções para a inflação e o teto da meta
O controle inflacionário permanece como prioridade, embora o cenário atual apresente desafios. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses atingiu 4,72% em maio, superando o teto da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com tolerância até 4,5%. O BC estima que a inflação deve permanecer acima do limite superior por mais de dois trimestres antes de iniciar uma trajetória de queda em 2027.
A probabilidade de o índice estourar o teto da meta em 2026 foi reavaliada, saltando de 30% para 79% em relação ao relatório anterior. Fatores como a alta nos preços de commodities, o valor do petróleo e a capacidade ociosa da economia contribuem para essa pressão altista, sendo parcialmente compensados pela política monetária restritiva e pela apreciação cambial.
Desempenho do crédito e contas externas
No setor de crédito, a projeção de crescimento para 2026 foi mantida em 9%. O BC observou uma dinâmica distinta entre as modalidades: enquanto o crédito livre teve sua estimativa revisada para baixo, o crédito direcionado — voltado a setores como habitação, infraestrutura e microcrédito — apresentou um aumento de 0,5 ponto percentual, alcançando 10,7%. Programas de incentivo, como o Pronampe, têm papel central nessa composição.
Quanto às contas externas, a previsão de déficit em transações correntes foi reduzida de 58 bilhões para 56 bilhões de dólares, o equivalente a 2,1% do PIB. Esse ajuste positivo é atribuído ao saldo comercial mais robusto, sustentado pela valorização do petróleo e pelo aumento esperado no volume de exportações de produtos básicos, especialmente a soja.
Para mais informações sobre o cenário econômico, consulte o Relatório de Política Monetária oficial.




