O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, manifestou forte descontentamento com a atuação de grupos econômicos que, segundo ele, têm criado obstáculos para pautas de interesse social. As críticas concentram-se na resistência à tramitação da proposta que visa extinguir a jornada de trabalho na escala 6 por 1 e nas dificuldades impostas pelo setor bancário à execução do programa Move Brasil, voltado para motoristas de aplicativos e taxistas.
Desafios na implementação do programa Move Brasil
O programa Move Brasil, que busca facilitar a aquisição de veículos para profissionais de transporte, enfrenta entraves operacionais significativos. O ministro relatou que bancos têm rejeitado a maioria dos pedidos de crédito, mesmo de trabalhadores com o nome limpo. Segundo Boulos, as instituições financeiras utilizam critérios de risco, como score e rating, para negar financiamentos que contam com o respaldo de um fundo garantidor do governo federal.
Além da recusa de crédito, o ministro denunciou a cobrança indevida de taxas de entrada por parte de algumas instituições bancárias. Outro ponto crítico envolve a falha na integração tecnológica entre os bancos e o BNDES, o que impede a conclusão de contratos mesmo quando o crédito é aprovado. O governo federal já sinalizou que convocará os bancos, especialmente os privados, para regularizar a situação e garantir o fluxo dos recursos.
Resistência política à jornada 6 por 1
No campo legislativo, a proposta de alteração na escala 6 por 1 encontra barreiras no Senado. O ministro criticou a postura do presidente da casa, Davi Alcolumbre, sugerindo que a pauta estaria sendo mantida em segundo plano por interesses contrários à vontade popular. Para o governo, a medida é fundamental para combater a exaustão dos trabalhadores e promover maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
O debate sobre o fim da jornada exaustiva tem sido marcado por intensas trocas de acusações. O ministro classificou a atuação de associações empresariais como um movimento de terrorismo patronal. De acordo com Agência Brasil, o governo sustenta que estudos demonstram impactos positivos da redução da jornada para setores como varejo e serviços, refutando argumentos de que a mudança causaria desequilíbrios econômicos ou aumento de preços.




