O setor varejista brasileiro apresentou um desempenho positivo no encerramento do primeiro semestre de 2026. Segundo dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, as vendas cresceram 0,5% na passagem de maio para junho. Com esse resultado, o setor acumula uma expansão de 1,9% nos primeiros seis meses do ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Dinâmica do varejo e o impacto da economia
O cenário econômico recente tem sido determinante para o comportamento do consumo. A desaceleração da inflação, que passou de 0,58% em maio para 0,16% em junho, aliada ao crescimento de 1,1% no número de pessoas ocupadas, criou um ambiente favorável para as transações comerciais. Esses fatores compensaram desafios estatísticos, visto que o setor opera atualmente no segundo maior patamar da série histórica, iniciada em 2000.
Apesar do otimismo, o desempenho de junho ainda coloca o varejo 0,8% abaixo do recorde histórico atingido em março de 2026. O analista da pesquisa, Cristiano Santos, pontua que a manutenção de taxas elevadas de crescimento torna-se mais complexa à medida que o setor se aproxima de seus picos históricos de volume de vendas.
Desempenho por setores e varejo ampliado
O comportamento das atividades foi heterogêneo entre os oito grupos pesquisados. O setor de hipermercados e supermercados registrou alta de 1,1%, enquanto o segmento de outros artigos de uso pessoal e doméstico avançou 2,4%. Em contrapartida, houve retrações expressivas em áreas como livros e papelaria, com queda de 9,9%, e tecidos, vestuário e calçados, que recuaram 2,6% no período.
No âmbito do comércio varejista ampliado — que incorpora veículos, motos, peças e material de construção — houve um recuo de 1% em junho. Mesmo com essa oscilação mensal, o segmento mantém um avanço de 1,9% no acumulado do primeiro semestre. Atualmente, o varejo ampliado encontra-se 2,1% abaixo do seu ponto máximo, registrado em fevereiro de 2026.
Contexto macroeconômico nacional
Os dados do comércio compõem um painel mais amplo sobre a conjuntura econômica brasileira. Enquanto o varejo demonstrou resiliência, outros setores apresentaram resultados distintos no mesmo período. A produção industrial, por exemplo, registrou um recuo de 1,8% em junho, enquanto o setor de serviços manteve estabilidade, com variação de 0% no mês, mas acumulando alta de 2% no semestre.




