O governo federal oficializou, nesta sexta-feira (25), a terceira etapa do programa de renegociação de débitos, o Desenrola 3.0. A principal novidade desta fase é a mudança na estratégia de atuação da União, que passa a comprar carteiras de dívidas inadimplentes por meio de leilões, repassando integralmente os descontos obtidos aos consumidores.
Diferente das edições anteriores, onde a negociação ocorria diretamente entre o credor e o devedor, agora o Estado assume o papel de intermediário comprador. A expectativa oficial é que o programa alcance R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis, com potencial para beneficiar cerca de 15 milhões de brasileiros que buscam limpar o nome.
A medida, instituída via Medida Provisória, foca em débitos bancários e não bancários que possuam valor original de até R$ 10 mil. Para serem elegíveis, as pendências financeiras devem estar em atraso por um período entre 720 e 1.645 dias, contados a partir de 25 de setembro de 2026.
Mecânica dos leilões e descontos
O processo de renegociação será estruturado em leilões competitivos. Os credores apresentarão propostas de deságio, e as ofertas com os maiores descontos serão selecionadas pelo governo. A regra estabelece um deságio mínimo de 90% para as operações.
Na prática, isso significa que uma dívida original de R$ 10 mil, ao ser adquirida pelo governo com o desconto mínimo, passará a ser cobrada do consumidor por R$ 1 mil. O cidadão poderá liquidar o valor à vista ou optar pelo parcelamento, cujas condições específicas ainda serão detalhadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Cronograma de implementação
A execução do programa segue um calendário definido pela Medida Provisória. Após a publicação em setembro de 2026, o chamamento para os credores ocorrerá em novembro. A entrega das propostas está prevista para dezembro, com a homologação dos resultados em janeiro de 2027.
A expectativa é que a assinatura dos contratos e o início efetivo do repasse dos descontos aos devedores ocorram a partir de fevereiro de 2027. O governo estima um custo máximo de R$ 15 bilhões para a aquisição dessas carteiras, com previsão orçamentária para 2027 e 2028.
Contexto da inadimplência no Brasil
Dados do Tesouro Nacional revelam a magnitude do desafio. Em agosto de 2026, o estoque de dívidas inadimplentes no país atingia R$ 592 bilhões. O cenário de endividamento abrange 83,9 milhões de pessoas negativadas, com uma média de quatro dívidas por indivíduo.
As dívidas não bancárias — que incluem contas de energia, água, telefonia e varejo — representam cerca de 55% desse total. O governo espera que a nova fase do programa ajude a reduzir esses indicadores, facilitando o acesso ao crédito e a recuperação financeira das famílias brasileiras.





