O ministro da Fazenda, Dario Durigan, iniciou uma importante missão diplomática na França, marcando sua segunda viagem internacional desde que assumiu a liderança da equipe econômica. O titular da pasta cumpre uma agenda estratégica que inclui a participação do Brasil como país convidado na reunião de ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais do G7, grupo que reúne as maiores economias industrializadas do mundo.
A viagem ocorre em um momento de intensa movimentação geopolítica e busca por novas parcerias comerciais. Além dos debates macroeconômicos, o ministro brasileiro foca em temas cruciais para o desenvolvimento nacional, como a transição energética, o avanço da inteligência artificial e a exploração de minerais críticos, setores onde o Brasil busca se posicionar como um player global indispensável.
Diplomacia econômica e encontros em Paris
A programação oficial em Paris começou com uma série de diálogos voltados à análise geopolítica e ao setor privado. Dario Durigan participou de uma mesa redonda promovida pela revista Le Grand Continent e manteve um almoço de trabalho com a redação do jornal Le Monde. O ministro também visitou a sede da startup francesa Mistral AI, onde discutiu o futuro da inteligência artificial com o CEO Arthur Mensch.
Na terça-feira (19), o foco se volta para a reunião ministerial do G7. O evento serve como palco para o Brasil reforçar sua posição em temas como a estabilidade financeira global e o impacto dos conflitos internacionais no abastecimento de energia. A agenda bilateral prevê encontros com a ministra delegada para Inteligência Artificial da França, Anne Le Hénanff, e com a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama.
Brasil como potência em minerais críticos
Um dos pontos centrais da viagem é a promoção do potencial brasileiro no mercado de minerais críticos. Em declarações recentes, o ministro destacou que o país possui uma reserva estratégica de insumos como nióbio, grafeno e terras raras, fundamentais para a indústria tecnológica moderna. O objetivo é atrair investimentos estrangeiros que permitam a industrialização local, evitando que o Brasil atue apenas como exportador de matéria-prima bruta.
A estratégia do governo federal envolve agregar valor à produção nacional, fortalecendo a cadeia produtiva interna enquanto mantém o controle soberano sobre os recursos naturais. Esta abordagem visa reduzir a dependência global em relação a outros produtores, como a China, posicionando o Brasil como um parceiro confiável e sustentável para o fornecimento desses insumos essenciais à transição energética.
Segurança energética e contexto internacional
A agenda de Dario Durigan também contempla uma reunião com o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol. O encontro ganha relevância diante das crescentes preocupações globais com a segurança do abastecimento energético, agravadas pelo conflito no Oriente Médio. A participação brasileira busca alinhar diretrizes que garantam estabilidade ao mercado global.
O roteiro original do ministro previa uma extensão da viagem para a Rússia, com o objetivo de participar de uma reunião do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD). No entanto, o compromisso em Moscou foi cancelado devido ao fechamento do aeroporto local, ocasionado por ataques de drones na região. O ministro retorna ao Brasil na quarta-feira (20) para retomar as atividades no Ministério da Fazenda.




