O avanço acelerado das plataformas de apostas online e cassinos virtuais tem atingido em cheio o cotidiano das mulheres brasileiras. Dados do levantamento “Mulheres & Bets”, produzido pelo estúdio de pesquisa Clarice em parceria com o Instituto Estratégia Latina e o Instituto IDEIA, revelam que 42% das brasileiras já apostaram ou apostam atualmente, enquanto outros 12% da população feminina absorvem os impactos financeiros e emocionais do vício de companheiros e parentes.
De acordo com o estudo, a busca pelo jogo entre as mães atinge um patamar 1,6 vez maior do que entre mulheres sem filhos. A constatação afasta o mito de que o público feminino busca as apostas por mero entretenimento. Em geral, a utilização das plataformas atua como uma tentativa emergencial de gerar uma “terceira renda” para cobrir despesas essenciais do lar, como feiras, material escolar, remédios ou um pedido de delivery.
A popularização desses jogos foi impulsionada pelas incertezas econômicas e pelo marketing agressivo de influenciadores digitais nos últimos anos. Especialistas e psiquiatras do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) alertam que modalidades de cassino virtual — como os jogos do tipo “tigrinho” — oferecem retorno imediato e representam uma porta de entrada rápida para o vício, atingindo diretamente o público feminino.
A pesquisa e os profissionais de acolhimento reforçam que as medidas de restrição aos cassinos e o combate às plataformas ilegais são urgentes. No entanto, apontam que o enfrentamento efetivo do problema exige atacar suas causas estruturais, garantindo proteção à renda das famílias e ampliando o suporte às redes de atendimento médico e psicológico no país.





