O programa Desenrola Brasil, iniciativa do governo federal voltada à renegociação de dívidas, tornou-se o principal alvo de uma onda de fraudes digitais. Um levantamento realizado pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou a circulação de 544 anúncios falsos em plataformas da Meta em um período de apenas dois meses e meio.
A análise, que compreendeu o intervalo entre 1º de abril e 14 de junho, aponta que criminosos utilizam estratégias sofisticadas para ludibriar consumidores. Ao misturar conteúdos legítimos com publicidade fraudulenta, os golpistas exploram a dificuldade dos usuários em distinguir canais oficiais de páginas maliciosas, elevando o risco de exposição de dados pessoais e financeiros.
Mecanismos de fraude e uso de inteligência artificial
A investigação do Netlab detalha como 48 páginas distintas operaram para disseminar as promessas enganosas. Grande parte desses perfis utilizou o nome oficial do programa para atrair vítimas, enquanto outros criaram entidades fictícias, como o inexistente “Libera Brasil”, para conferir uma falsa aparência de legitimidade às publicações.
O uso de tecnologia avançada é um dos pontos mais críticos do relatório. Cerca de 38,1% dos anúncios analisados contêm material gerado por inteligência artificial, o que torna a identificação da fraude ainda mais complexa para o cidadão comum. Além disso, 19,1% dos links direcionam as vítimas para ambientes que mimetizam portais governamentais ou instituições financeiras.
Impacto da desinformação e vulnerabilidade do consumidor
A diretora do Netlab, Marie Santini, alerta que a ausência de filtros eficazes nas redes sociais cria um cenário de vulnerabilidade constante. Segundo a pesquisadora, a mistura de anúncios verdadeiros e falsos na mesma interface desorienta o público e facilita a coleta de informações sigilosas, que posteriormente são utilizadas em novas etapas de golpes via aplicativos de mensagens.
O histórico de problemas envolvendo o programa é extenso. Desde a primeira versão, lançada em 2023, o Ministério da Justiça precisou intervir para determinar a retirada de conteúdos ilegais. Naquela ocasião, uma medida cautelar resultou em uma multa de R$ 9,3 milhões contra a Meta, evidenciando a persistência das falhas de segurança nas plataformas digitais.
Posicionamento da Meta e medidas de segurança
Em nota oficial, a Meta afirmou que o combate a fraudes é uma prioridade e que tem investido em inteligência artificial e reconhecimento facial para detectar violações. A empresa destacou que, ao longo de 2025, removeu mais de 159 milhões de anúncios fraudulentos e desativou 10,9 milhões de contas associadas a atividades criminosas.
A companhia ressaltou ainda que coopera com as autoridades brasileiras e que a maioria das remoções ocorre antes mesmo de qualquer denúncia por parte dos usuários. Para mais informações sobre a segurança digital, consulte a Agência Brasil.





