O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente reconhecido como a “inflação do aluguel”, apresentou queda de 0,5% em junho. O recuo nos preços de combustíveis, minerais e do café foi determinante para que o indicador entrasse em terreno negativo, marcando a primeira deflação registrada desde fevereiro deste ano. Os dados foram oficializados nesta segunda-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
igp: cenário e impactos
O resultado de junho surpreendeu positivamente o mercado financeiro, ficando abaixo da projeção de 0,03% indicada pelo relatório Focus do Banco Central. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice registra alta de 3,16%, enquanto o primeiro semestre de 2026 encerra com variação de 3,27%. A trajetória do indicador ao longo do ano reflete a volatilidade dos preços internacionais, com destaque para o pico de 2,73% observado em abril, período fortemente impactado por tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Convergência de preços e estabilização das commodities
O economista da FGV, Matheus Dias, aponta que a recente deflação é resultado de um movimento de convergência. As commodities energéticas e minerais retornaram a patamares de preços observados antes de março, período anterior ao agravamento do conflito no Oriente Médio. Essa estabilização externa tem sido fundamental para aliviar a pressão sobre os custos produtivos internos.
Além do cenário internacional, o setor agrícola brasileiro desempenha um papel central na composição do índice. Com safras apresentando resultados positivos e maior oferta disponível no mercado, houve uma redução natural nos preços de itens como a cana-de-açúcar e o café em grãos. Esse alívio na ponta produtora tem sido gradualmente repassado ao consumidor final, refletindo diretamente nas quedas observadas na gasolina, no etanol e no café em pó.
Estrutura e impacto do índice na economia
A metodologia da FGV para o cálculo do IGP-M baseia-se em três pilares distintos. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) detém o maior peso, representando 60% da composição total, e apresentou deflação de 0,97% em junho. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que compõe 30% do indicador, registrou alta de 0,47%, mantendo um ritmo de crescimento inferior ao observado no mês anterior. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) completou a lista, com variação positiva de 0,85%.
A relevância do IGP-M transcende a análise macroeconômica, impactando diretamente o bolso dos brasileiros. Por ser o indexador utilizado para o reajuste anual de contratos imobiliários, a deflação traz um alívio importante para inquilinos em diversas regiões do país. Além disso, o índice serve como base para a correção de tarifas públicas, incluindo serviços de energia elétrica e telefonia, tornando o monitoramento desses dados essencial para a gestão de custos em serviços essenciais.




