A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, indicou nesta quarta-feira (1º) que a gasolina deve seguir a tendência de queda observada em outros combustíveis. O movimento de ajuste nos valores é reflexo direto da recente desvalorização do petróleo no mercado internacional, que permitiu um alívio nas cotações após períodos de alta acentuada causados por tensões geopolíticas.
A estatal já havia adotado medidas similares para outros derivados. Na terça-feira (30), a companhia anunciou a redução de R$ 0,35 por litro no óleo diesel. Já nesta quarta-feira (1º), foi a vez do querosene de aviação (QAV) registrar um recuo de 14,5% em seu preço, conforme divulgado pela Petrobras.
Impacto da estabilização do conflito no Oriente Médio
A alta dos preços nos últimos meses foi impulsionada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, região estratégica por onde transitava cerca de 20% da produção global de óleo e gás antes do início das hostilidades entre Estados Unidos, Israel e Irã. A redução da oferta disponível no mercado internacional elevou o custo do barril, que chegou a ultrapassar a marca de US$ 110 durante os momentos mais críticos do embate.
Atualmente, o cenário apresenta sinais de normalização. Com a retomada do tráfego de navios petroleiros na região, o barril de petróleo tipo Brent, referência internacional, voltou a ser negociado na casa dos US$ 70. Esse patamar de preço está alinhado com as cotações observadas no período anterior ao conflito, proporcionando um ambiente mais favorável para a revisão dos valores internos.
Estratégia de preços e gestão da volatilidade
Magda Chambriard destacou que a gestão atual da Petrobras prioriza o monitoramento diário do mercado global, porém, com cautela para evitar a importação de volatilidade e ansiedade para o consumidor brasileiro. A presidente reforçou que a empresa busca equilibrar o atendimento à sociedade com a manutenção de sua participação de mercado.
A executiva relembrou experiências passadas, como em 2018, quando a oscilação constante dos preços resultou em efeitos indesejados para a companhia. Segundo ela, a política atual é conduzida com profissionalismo para garantir que os produtos tenham preços competitivos sem comprometer a sustentabilidade financeira da estatal.
Processo de retirada dos subsídios governamentais
A melhora no cenário externo também permitiu que o governo federal iniciasse a remoção gradual dos subsídios concedidos aos combustíveis. Na mesma data em que o diesel teve seu preço reduzido, o governo cortou o benefício de R$ 0,35 que incidia sobre o insumo, utilizado majoritariamente pelo setor de transporte.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou que a equipe econômica avalia a retirada do subsídio de R$ 0,44 aplicado à gasolina. Questionada sobre a possibilidade de a Petrobras reduzir o preço do combustível antes desse movimento governamental, a presidente da estatal classificou a indagação como prematura.




