O consumidor brasileiro tem sentido no bolso o encarecimento do limão, que apresenta valores muito acima da média histórica, mesmo durante o período de entressafra. A escassez do produto nas gôndolas é reflexo direto de uma produção reduzida e de desafios climáticos que comprometeram a colheita nas principais regiões produtoras do país.
De acordo com Renato Garcia Ribeiro, pesquisador do Cepea/Esalq, o limão possui uma volatilidade de preços naturalmente elevada. Contudo, o cenário atual é agravado por condições meteorológicas adversas ocorridas no início do ano, que prejudicaram a florada e reduziram drasticamente a oferta disponível no mercado.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam a dimensão da alta. No cinturão cítrico paulista, responsável por 80% da produção nacional, o valor pago ao produtor pelo limão tahiti saltou de R$ 32,10 em junho para R$ 104,78 em agosto, uma valorização acumulada de 226,4% no período.
Impactos climáticos na produção
O excesso de chuvas e a alta umidade no início do ano foram determinantes para a queda na produtividade. Além de dificultar a colheita, o clima nublado prejudicou a qualidade comercializável das frutas. As regiões de Matão e Bebedouro, que concentram a maior parte do cultivo, foram as mais afetadas pelo fenômeno.
A situação é agravada pela combinação de fatores. Enquanto a oferta interna diminuiu, a demanda por parte do mercado externo, especialmente a Europa, permanece ativa, consumindo cerca de 11% da safra nacional. Somado a isso, o calor intenso registrado em agosto e setembro impulsionou o consumo doméstico, pressionando ainda mais os preços nos entrepostos como Ceagesp e CeasaMinas.
Perspectivas para o final do ano
A expectativa de normalização dos preços está atrelada à chegada da nova safra, prevista para meados de novembro. Embora tenha havido uma leve retração nos preços em alguns mercados na última semana, especialistas alertam que a tendência de estabilidade ainda é incerta.
Para o próximo ano, o cenário exige atenção. Especialistas apontam que o estresse das plantas causado pelas variações climáticas pode ter reflexos prolongados. Além disso, o monitoramento de fenômenos como o El Niño é constante, embora, segundo a Conab, o impacto direto na safra atual tenha sido considerado secundário frente aos problemas de excesso de umidade no período de floração.




