Rioprevidência redireciona recursos de custeio para o pagamento de benefícios
O Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) anunciou uma mudança estratégica em sua gestão financeira. A autarquia passará a destinar recursos excedentes, anteriormente reservados para despesas administrativas, diretamente para o pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores públicos estaduais.
A medida, aprovada pela diretoria executiva no dia 2 de junho, estabelece que, ao final de cada mês, qualquer montante no Fundo Administrativo que ultrapasse 150% das despesas operacionais registradas nos 12 meses anteriores será revertido para a folha de benefícios. A expectativa é que aproximadamente R$ 100 milhões sejam redirecionados até o encerramento deste ano.
Critérios mais conservadores para investimentos
Além da realocação de verbas, o órgão informou a adoção de uma política de investimentos mais cautelosa. O objetivo é priorizar aplicações de curto prazo e alta liquidez, evitando a exposição a riscos desnecessários que marcaram a gestão anterior dos recursos do fundo.
O diretor-presidente, Felipe Derbli, justificou a mudança enfatizando que não faz sentido submeter o custeio administrativo a ativos de longo prazo e maior volatilidade. A nova regra ainda passará pelo crivo do Conselho de Administração do Rioprevidência, com reunião prevista para o final de junho.
Contexto de investigações sobre aportes
A mudança na gestão ocorre em um momento de escrutínio sobre as finanças da instituição. O órgão foi citado no chamado Caso Master, que investiga a aplicação de bilhões de reais em ativos ligados ao Banco Master. A Polícia Federal, por meio da operação Compliance Zero, apura possíveis irregularidades nessas movimentações financeiras.
Segundo relatórios da Polícia Federal, entre outubro de 2023 e julho de 2024, foram aportados R$ 970 milhões em Letras Financeiras do referido banco. Posteriormente, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, novos aportes em fundos estruturados somaram R$ 2,01 bilhões, totalizando cerca de R$ 3 bilhões sob investigação, conforme reportado pela Agência Brasil.




