O governo federal revisou para baixo a expectativa para o superávit da balança comercial brasileira em 2026. A nova projeção aponta para um saldo positivo de US$ 84,4 bilhões, recuando frente aos US$ 90 bilhões estimados anteriormente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
A principal justificativa para o ajuste é a oscilação nos preços internacionais do petróleo. O barril, que chegou a atingir o patamar de US$ 138 em abril — período marcado pela entrada dos Estados Unidos no conflito contra o Irã —, apresentou recuo nos meses seguintes, estabilizando-se próximo aos US$ 100 na cotação do tipo Brent.
Apesar da redução na estimativa final, o cenário ainda é de otimismo em comparação ao ano anterior. O resultado projetado para 2026 representa um crescimento de 24% em relação ao superávit consolidado em 2025, que foi de US$ 68,1 bilhões.
Impactos da revisão nas projeções do Mdic
Com a atualização dos dados, a estimativa para as exportações totais do ano foi ajustada para US$ 382,5 bilhões, enquanto as importações devem somar US$ 298,1 bilhões. O movimento reflete uma queda de US$ 11,9 bilhões nas vendas externas e de US$ 6,3 bilhões nas compras em relação à previsão anterior.
Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, ressaltou que a nova estimativa está alinhada com o desempenho observado até o momento. Segundo ele, o cenário para o fechamento do ano encontra-se consolidado, exigindo um saldo positivo de aproximadamente US$ 22 bilhões no último trimestre para atingir a meta.
Desempenho recente e histórico
Em setembro, o país registrou um superávit de US$ 7,74 bilhões, um salto de 146,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. O resultado foi impulsionado principalmente pela valorização dos preços dos produtos exportados, que subiram 9,9% em média.
O petróleo bruto manteve-se como protagonista, com exportações totalizando US$ 6,49 bilhões no mês, uma alta expressiva de 77,3%. Caso a meta atual de US$ 84,4 bilhões seja confirmada, o ano de 2026 ocupará a segunda posição na série histórica de saldos comerciais, ficando atrás apenas do recorde de 2023, quando o país alcançou US$ 98,9 bilhões.
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