A iniciativa Bienal nas Escolas, uma extensão da tradicional Bienal do Livro do Rio de Janeiro, está promovendo a leitura entre estudantes da capital fluminense com uma abordagem inovadora. Pela primeira vez, o projeto acontece fora do ano de realização do evento principal, que ocorre em anos ímpares, e adota a temática da Copa do Mundo para engajar crianças e jovens.
Organizado pela GL Events Exhibitions, responsável pelo evento literário, e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), o programa visa fortalecer o senso crítico e os valores educacionais desde a infância. A ação, que teve início em abril, já passou por escolas na zona norte do Rio e tem previsão de alcançar ao menos seis instituições de ensino ao longo do ano.
Expansão e Alcance do Projeto Educacional
A Bienal nas Escolas começou suas atividades na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, em Oswaldo Cruz, e tem agendada uma próxima visita à Escola Municipal Sarmiento, no Engenho Novo. A meta inicial é beneficiar pelo menos 1 mil alunos com idades entre 6 e 10 anos em cinco escolas, com a possibilidade de expansão caso haja mais apoio da iniciativa privada.
O projeto conta com o patrocínio de empresas como OLX e Accenture, que possibilitam a distribuição de 100 livros para cada escola participante. Essa doação tem como objetivo principal fortalecer as bibliotecas e salas de leitura escolares, ampliando o acesso dos estudantes a novos títulos e autores.
A Copa do Mundo como Ferramenta de Estímulo à Leitura
Para capitalizar o entusiasmo em torno do evento esportivo global, a Bienal nas Escolas introduziu um “álbum de figurinhas” literário. Este álbum apresenta uma seleção de personagens da literatura clássica de diversos países, incluindo figuras icônicas como Dom Quixote, Sherazade, Iara, Sherlock Holmes e Peter Pan.
Bruno Henrique, diretor de Marketing e Conteúdo da GL Events, destacou a estratégia: “Não tem como fugir desse assunto, porque a Copa do Mundo mobiliza vários países, e o Brasil, obviamente, é um deles.” Ele ressaltou que a brincadeira com o álbum de figurinhas, sempre associada ao evento, cria uma relação lúdica com as histórias, mesmo para quem não se interessa por futebol, ampliando o contato com diferentes referências literárias. O tema do projeto deste ano é “Livros Mudam o Jogo”.
Diálogo com Autores e Representatividade na Literatura
Um dos pilares do projeto é o encontro dos estudantes com escritores, promovendo um diálogo direto e inspirador. Na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, a convidada foi a escritora Kiusam de Oliveira, reconhecida por sua literatura afrodidática.
Kiusam enfatizou a importância da representatividade e do incentivo ao imaginário infantil, afirmando que “tudo começa com a leitura do mundo, antes mesmo da leitura das palavras”. Ela compartilha sua trajetória como mulher preta e professora, buscando que as crianças se reconheçam e entendam seu potencial para sonhar e transformar a própria realidade. A estudante Lara Braga, de 10 anos, expressou seu apreço pelos livros de Kiusam, como Com qual penteado eu vou e Tayó em quadrinhos, destacando a importância de mensagens sobre respeito e o estímulo à imaginação.
O próximo encontro está programado com a escritora Andrea Taubman, que abordará seu livro Não me toca, seu boboca!. A seleção dos autores é realizada em colaboração com as secretarias municipais e estaduais de Educação, garantindo a relevância e adequação do conteúdo.
Impacto e Perspectivas Futuras na Promoção da Leitura
Desde sua criação em 2019, a Bienal nas Escolas já visitou 25 escolas, atendendo uma média de 170 alunos por visita. Somente no ano anterior, 11 escolas foram integradas ao projeto, alcançando um total de 2,2 mil estudantes. Escritores renomados como Bia Bedran, Thalita Rebouças, Jessé Andarilho e Rodrigo França participaram de encontros em escolas da capital e da Baixada Fluminense.
Uma pesquisa conduzida em 2025 com as escolas participantes revelou um aumento de 25% na procura por livros nas bibliotecas municipais e estaduais. Bruno Henrique avaliou este resultado como um indicativo de que o projeto está no caminho certo, percebendo uma mudança de comportamento e um reforço positivo no ambiente escolar. A iniciativa demonstra o compromisso em colocar o livro em um lugar de entretenimento e prazer, além de sua função educativa e cultural.




