Quarta-feira, 28 de outubro de 2026 06:12
Educação

Desempenho escolar do Brasil no Pisa 2025 revela estagnação e desafios

O Brasil mantém desempenho estável no Pisa 2025, mas segue abaixo da média da OCDE. Desigualdade e desafios tecnológicos marcam o cenário educacional.

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Desempenho escolar do Brasil no Pisa 2025 revela estagnação e desafios
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O desempenho dos estudantes brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025 trouxe um cenário de cautela. Embora os dados indiquem uma redução na distância em relação à média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), especialistas apontam que o fenômeno não reflete um salto na qualidade do ensino nacional, mas sim uma estabilidade dos resultados brasileiros diante da queda de pontuação observada em nações desenvolvidas.

O Brasil permanece abaixo da média da OCDE em leitura, matemática e ciências. Em matemática, por exemplo, a defasagem é de aproximadamente 4,6 anos escolares. A estabilidade nos resultados, embora evite retrocessos, mantém o país em um patamar de proficiência considerado baixo, com apenas 28% dos alunos atingindo o nível mínimo de competência exigido na disciplina.

Para Felipe Proto, vice-presidente da Fundação Lemann, o desafio central é transformar essa estabilidade em progresso real. “O país tem mantido seus resultados relativamente estáveis, enquanto a média da OCDE recuou. Portanto, embora tenha evitado uma piora, o desafio brasileiro continua sendo promover ganhos consistentes de aprendizagem”, afirma.

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Desigualdades e o impacto socioeconômico

A disparidade educacional no país permanece como um dos principais gargalos. Dados do Pisa revelam que, em ciências, a diferença de pontuação entre os 25% de estudantes mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis chega a 96 pontos. Esse abismo educacional equivale a quase cinco anos de aprendizado, evidenciando que a desigualdade socioeconômica dita o ritmo do sucesso acadêmico no Brasil.

Rodrigo Fulgêncio, da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), destaca que o problema não é apenas a falta de base, mas a ausência de alunos nos níveis mais altos de proficiência. “O ponto central é que o Brasil ainda não conseguiu produzir ganhos de aprendizagem em escala”, reforça.

Tecnologia e o uso de celulares em sala

Um dado relevante da edição de 2025 é o aumento das restrições ao uso de celulares nas escolas. Cerca de 81% dos estudantes brasileiros relataram frequentar instituições com regras que limitam o uso desses dispositivos, um salto expressivo em relação aos 37% registrados em 2022. O índice brasileiro supera a média da OCDE, que é de 49%.

Apesar do controle, os desafios cognitivos persistem. O levantamento identificou um crescimento na “leitura apressada” e dificuldades na avaliação crítica de informações. Especialistas alertam que a tecnologia, por si só, não garante melhoria no desempenho. O desafio atual das escolas é ensinar os alunos a manterem a atenção, lerem com profundidade e utilizarem ferramentas digitais, como a Inteligência Artificial, para ampliar o pensamento crítico, e não para substituir o raciocínio.

Para mais detalhes sobre o desempenho educacional, acesse o portal da Agência Brasil.

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