O Brasil apresentou uma redução gradual na diferença de desempenho escolar em relação às nações desenvolvidas nas últimas duas décadas. Os dados fazem parte dos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, divulgados nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Embora o país ainda permaneça abaixo da média da OCDE em matemática, leitura e ciências, o hiato educacional diminuiu significativamente desde 2006. Em leitura, a defasagem caiu 44 pontos; em matemática, a redução foi de 39 pontos, enquanto em ciências a diferença diminuiu 36 pontos.
A avaliação, realizada a cada três anos, analisou cerca de 760 mil estudantes em 91 países. No Brasil, a amostra contou com 30.140 alunos, sendo a maioria matriculada em escolas da rede estadual e residentes em áreas urbanas. O desempenho brasileiro em ciências foi o destaque positivo, registrando um salto para 409 pontos em comparação ao ciclo de 2022.
Restrição de celulares e ambiente escolar
Uma mudança notável observada no levantamento de 2025 foi o aumento das restrições ao uso de celulares dentro das salas de aula. Atualmente, 81% dos alunos brasileiros frequentam instituições que limitam o uso desses dispositivos, um salto expressivo em relação aos 37% registrados em 2022. O índice brasileiro supera a média da OCDE, que é de 49%.
O Ministério da Educação (MEC) atribui parte desse cenário à implementação da Lei nº 15.100/2025. A norma visa reduzir distrações digitais, fator que, segundo relatórios anteriores da OCDE, impacta negativamente o rendimento acadêmico dos estudantes.
Engajamento e consciência ambiental
Além das disciplinas tradicionais, o Pisa 2025 avaliou o perfil socioemocional dos jovens. O interesse por novos temas e a perseverança diante de desafios foram pontos positivos, com uma redução no número de alunos que consideram a escola uma perda de tempo. Aqueles que valorizam o ambiente escolar apresentaram, em média, 35 pontos a mais em ciências.
Outro destaque foi o engajamento ambiental. A maioria dos estudantes brasileiros (84%) acredita no seu potencial para gerar impactos positivos no meio ambiente, enquanto 87% confiam na eficácia da ação coletiva para solucionar problemas globais, superando as médias internacionais da OCDE.





