Professores e técnicos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em paralisação há mais de dois meses, apresentaram formalmente suas principais reivindicações ao secretário de Planejamento do Estado. O encontro, que ocorreu recentemente, marcou um passo importante na busca por soluções para o impasse que afeta a instituição de ensino. As demandas abrangem desde benefícios essenciais para os servidores até a recomposição orçamentária para programas de assistência estudantil, refletindo a amplitude das preocupações da comunidade acadêmica.
A greve, iniciada pelos docentes em 25 de março e pelos técnicos administrativos em 9 de abril, tem gerado impactos significativos nas atividades universitárias. A apresentação das pautas ao governo estadual visa acelerar as negociações e encontrar um caminho para o encerramento do movimento, que mobiliza diversas categorias dentro da universidade em prol de melhorias nas condições de trabalho e estudo.
As Reivindicações Centrais dos Servidores da Uerj
A pauta de exigências dos servidores da Uerj é composta por pontos considerados cruciais para a categoria. Entre os pedidos mais urgentes, destaca-se a retomada do pagamento dos auxílios Saúde e Educação, com a extensão desses benefícios também aos aposentados. A importância desses auxílios reside no suporte direto à qualidade de vida e ao bem-estar dos profissionais, especialmente em um cenário de desafios econômicos.
Outra demanda fundamental é o envio do novo plano de carreira dos técnicos para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A revisão e aprovação de um plano de carreira atualizado são vistas como essenciais para a valorização e progressão profissional dos técnicos administrativos. Além disso, a categoria reivindica o pagamento do triênio, um benefício por tempo de serviço, com a solicitação de que este seja concedido aos funcionários que já possuem o direito, mesmo antes da aprovação de um novo projeto de lei na Alerj. Os representantes dos servidores argumentam que muitas dessas questões não dependem de aprovação legislativa e poderiam ser autorizadas diretamente pelo governador em exercício.
O Cenário Orçamentário e os Prazos Governamentais
Em resposta às reivindicações, o secretário de Planejamento informou que as pautas serão analisadas, mas ressaltou as restrições orçamentárias enfrentadas pelo estado. A situação financeira do governo do Rio de Janeiro impõe desafios para a aprovação de novas despesas e investimentos. Em relação ao plano de carreira dos técnicos e a um substitutivo para o triênio, o secretário apontou um prazo limite importante: 30 de junho. Esta data marca o encerramento do período para aprovação de novos projetos de lei e rubricas orçamentárias, em virtude das eleições que ocorrerão em outubro, conforme a legislação eleitoral.
A viabilidade financeira para o pagamento imediato do triênio aos funcionários que já têm direito, enquanto se aguarda uma legislação definitiva, também será objeto de análise. A complexidade de conciliar as demandas dos servidores com as limitações fiscais e os prazos eleitorais adiciona uma camada de desafio às negociações entre a universidade e o governo estadual.
As Demandas da Comunidade Estudantil
Além das pautas dos servidores, os universitários da Uerj também apresentaram suas próprias reivindicações ao secretário de Planejamento. A principal delas é a recomposição orçamentária das instituições de ensino superior para garantir o pagamento dos programas de assistência estudantil até o final de 2026. Estudos apresentados pelos estudantes indicam que o valor necessário para essa recomposição gira em torno de R$ 40 milhões, um montante crucial para a manutenção de bolsas e auxílios que permitem a permanência de muitos alunos na universidade.
Outros pedidos importantes incluem o reajuste do auxílio-transporte, fundamental para cobrir os custos de deslocamento dos estudantes, e a implantação do passe livre intermodal e interestadual. Essas medidas visam democratizar o acesso à educação, reduzindo as barreiras financeiras e logísticas que muitos alunos enfrentam diariamente para chegar aos campi. A garantia de assistência estudantil adequada é vista como um pilar para a inclusão e o sucesso acadêmico.
Perspectivas e o Andamento da Paralisação
A apresentação das demandas ao governo marca um momento de expectativa para a comunidade da Uerj. Com a análise das pautas em curso e os desafios orçamentários e eleitorais em vista, as próximas semanas serão decisivas para o futuro da paralisação. A busca por um consenso que atenda às necessidades dos servidores da Uerj e dos estudantes, ao mesmo tempo em que respeita as limitações do estado, continua sendo o objetivo central das negociações. A comunidade acadêmica aguarda respostas concretas que possam levar ao fim da greve e à normalização das atividades universitárias.
Para mais informações sobre o governo do estado do Rio de Janeiro, visite o site oficial.



