Quarta-feira, 28 de outubro de 2026 16:04
Educação

Conselho da UFRJ retira título de Doutor Honoris Causa do embaixador Lincoln Gordon

Conselho Universitário da UFRJ revoga por unanimidade o título de Doutor Honoris Causa concedido ao embaixador americano Lincoln Gordon em 1968.

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Conselho da UFRJ retira título de Doutor Honoris Causa do embaixador Lincoln Gordon
Agência Brasil

O Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) oficializou, na quinta-feira (13), a cassação do título de Doutor Honoris Causa anteriormente conferido ao diplomata norte-americano Lincoln Gordon. A decisão, tomada por unanimidade, marca um movimento de revisão histórica da instituição em relação a figuras associadas ao período da ditadura militar no Brasil.

A honraria havia sido entregue ao embaixador em 1968, em um contexto político distinto. A revogação atual reflete o reconhecimento da participação ativa de Gordon na articulação que culminou na deposição do presidente João Goulart.

Trajetória diplomática e articulação do golpe de 1964

Lincoln Gordon atuou como embaixador dos Estados Unidos no Brasil entre 1961 e 1966. Documentos históricos e registros da época apontam que o diplomata desempenhou um papel central no planejamento do golpe de Estado de 1964, que instaurou um regime militar no país por duas décadas, encerrado apenas em 1985.

A atuação de Gordon foi fundamental para alinhar os interesses norte-americanos à instabilidade política brasileira daquele período. A decisão da UFRJ fundamenta-se na análise crítica desse legado, distanciando a universidade de homenagens a personagens que contribuíram para a ruptura democrática.

A Operação Brother Sam e o apoio logístico americano

O envolvimento dos Estados Unidos no cenário brasileiro de 1964 foi detalhado posteriormente através da abertura de arquivos do então presidente norte-americano Lyndon B. Johnson. As evidências confirmam que o governo dos EUA estava preparado para uma intervenção direta caso o golpe enfrentasse resistência armada.

A chamada Operação Brother Sam consistiu no deslocamento de uma expressiva força-tarefa naval em direção ao litoral brasileiro. O objetivo era oferecer suporte logístico e militar aos quartéis que se rebelaram contra o governo constitucional de João Goulart. A rapidez com que os militares brasileiros consolidaram o poder tornou desnecessária a entrada das embarcações em águas territoriais nacionais, conforme detalhado em relato da Agência Brasil.

Revisão histórica e memória institucional

A medida adotada pela UFRJ integra um esforço mais amplo de instituições de ensino superior brasileiras em revisitar suas homenagens e reconhecer o impacto do regime militar na sociedade. Recentemente, outras universidades também realizaram atos simbólicos de reparação histórica, como a entrega de diplomas póstumos a vítimas da ditadura e a concessão de títulos a jornalistas perseguidos pelo regime.

Ao revogar o título, a universidade reafirma seu compromisso com a memória democrática e com a ética acadêmica. O ato é visto por historiadores como um passo necessário para a correção de distorções institucionais que perduraram por décadas dentro do ambiente universitário.

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