João Batista Sérgio Murad, eternizado como Beto Carrero, completaria 89 anos nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026. O artista e empresário, que faleceu em 2008 aos 70 anos, deixou um legado que transcendeu as arenas de circo, consolidando-se como um dos maiores ícones do entretenimento e do turismo no Brasil.
Sua trajetória foi marcada por uma visão empreendedora que uniu a paixão pela vida rural à grandiosidade dos parques temáticos internacionais. Além do famoso complexo em Santa Catarina, o nome de Beto Carrero tornou-se uma marca poderosa, licenciada em centenas de produtos que alcançaram o mercado nacional nas décadas passadas.
Registros históricos da imprensa, como uma reportagem da Folha de Londrina de 1999, apontavam que o empresário detinha um patrimônio estimado em R$ 50 milhões à época. Naquele mesmo período, o faturamento anual de seus empreendimentos era calculado em US$ 25 milhões, evidenciando a força comercial que o personagem cowboy exercia no país.
A origem do Beto Carrero World em Santa Catarina
A escolha de Penha, em Santa Catarina, para sediar o parque temático não foi aleatória. Segundo relatos de seu filho, Alexandre Murad, à revista EXAME, o empresário adquiriu as terras na região enquanto atuava no setor têxtil. O que começou como um projeto de fazenda familiar, repleto de bois e cavalos, transformou-se em um dos maiores parques multitemáticos do mundo após uma visita de Murad aos parques da Disney, nos Estados Unidos.
Inaugurado em 28 de dezembro de 1991, o empreendimento exigiu investimentos vultosos. Dados da década de 1990 indicavam que o parque já havia consumido cerca de R$ 110 milhões em infraestrutura, com atrações de alto custo, como montanhas-russas e simuladores importados, que custavam milhões de dólares cada.
O papel dos animais na identidade do cowboy
A figura do cowboy brasileiro era inseparável de seus animais, especialmente do cavalo Faísca. Beto Carrero cultivava uma relação próxima com o animal, que o acompanhou desde o início de sua carreira, quando ele deixou São José do Rio Preto, aos 18 anos, para realizar apresentações pelo Brasil.
Em entrevistas, o empresário destacava que Faísca possuía tratamento de estrela, viajando inclusive de avião com ar-condicionado. Essa conexão com o mundo rural era uma herança de família, já que seu pai trabalhava no campo e mantinha afinidade com cavalos árabes, o que moldou a identidade artística que o tornou famoso.
Expansão e futuro do complexo
Após o falecimento do fundador, a gestão do parque foi assumida por seus herdeiros, incluindo o filho Alexandre Murad. O empreendimento, que ocupa uma vasta área de 14 milhões de metros quadrados, mantém planos de expansão ambiciosos.
Para os próximos quatro anos, o grupo planeja investimentos na casa dos R$ 2 bilhões. O projeto de modernização inclui a construção de hotéis dentro do complexo, novas áreas temáticas e atrações inéditas, garantindo que o legado de Beto Carrero continue a atrair milhões de visitantes anualmente.





