A atriz e cantora Claudia Ohana, aos 63 anos, comemora 44 anos de uma trajetória artística diversificada, marcada por atuações no cinema, televisão e teatro. Longe de pensar em uma fase de conclusão, ela segue em busca de novos desafios e atualmente brilha nos palcos do Rio de Janeiro com o musical Festa no Arraial, no Teatro Clara Nunes, onde interpreta a vilã cômica Tânia Flores.
Para Ohana, o teatro se tornou um verdadeiro refúgio e alicerce em sua vida profissional. “Hoje em dia, o teatro representa a minha casa, é onde me sinto em casa. Comecei no teatro depois de ter feito cinema e televisão, mas foi ele que me deu chão como atriz. Depois do teatro, tudo ficou mais fácil, porque estar em cena é como estar em um trapézio sem rede. E isso é muito maravilhoso”, declarou a artista em entrevista à CARAS Brasil.
A experiência teatral, segundo ela, a mantém presente e aprimora sua performance em outras mídias. Essa constante prática no palco facilita a transição para as nuances do cinema e da televisão, tornando-a uma atriz mais completa e consciente de seu ofício.
Momentos inesquecíveis e a magia do palco
Ao longo de sua vasta carreira, Claudia Ohana coleciona histórias marcantes, especialmente no teatro. Um desses momentos únicos aconteceu quando as luzes de um palco se apagaram durante uma apresentação. Em vez de parar, a atriz interagiu com a plateia, que iluminou a cena com as lanternas dos celulares. “Foi um momento muito mágico, daqueles que só o teatro pode proporcionar”, recorda.
Entre os trabalhos que mais a tocaram, está a ópera Carmen, dirigida e adaptada por Augusto Boal. Ohana descreve a experiência como um grande desafio artístico e uma das mais importantes de sua trajetória. “Acho que a ópera Carmen, dirigida e adaptada pelo Augusto Boal, ficou marcada para sempre em mim, porque foi um desafio muito grande e um personagem maravilhoso. Nunca vou esquecer essa peça e, principalmente, nunca vou esquecer o Boal. Foi uma experiência muito especial na minha trajetória”, afirmou.
Uma trajetória multifacetada na arte
A estreia de Claudia Ohana no cinema ocorreu em 1979, com o filme Amor e Traição. Rapidamente, ela conquistou o público com papéis icônicos na televisão brasileira. Entre eles, destacam-se a protagonista da primeira fase de Tieta, em 1989, a memorável vampira Natasha de Vamp, em 1991, e a vilã Isabela de A Próxima Vítima, em 1995.
A atriz ressalta a importância de transitar por diferentes linguagens artísticas para sua formação. Embora tenha iniciado no cinema e na TV, foi o teatro que lhe proporcionou a base e o aprofundamento necessários para todos os seus trabalhos. Ela compara cada meio a um gênero musical: o teatro seria como cantar lírico ou dançar balé clássico; a televisão, como a MPB; e o cinema, o jazz. Ohana afirma gostar dos três igualmente, valorizando as particularidades de cada um.
Refletindo sobre sua jornada, Claudia Ohana oferece um conselho à jovem atriz que começou em 1979: “Vai fundo e acredite em você”. Uma mensagem de autoconfiança que ecoa sua própria resiliência e paixão pela arte.
O legado de Natasha e o encanto das vilãs
Um dos personagens mais queridos e lembrados da carreira de Claudia Ohana é Natasha, a vampira roqueira de Vamp. A novela, lançada pela TV Globo em 1991, completa 35 anos este ano e a personagem continua viva na memória do público. A atriz atribui a força de Natasha à sua personalidade multifacetada, que combinava humor, sensualidade, música e um toque de exagero, elementos que criaram um universo particular e cativante.
A conexão afetiva do público com Natasha é algo que a emociona. “Muita gente que assistiu à novela quando era criança ou adolescente hoje vem falar comigo e contar que a Natasha fez parte de uma fase importante da vida. E é muito bonito perceber que uma personagem que fiz tantos anos atrás continua encontrando novas gerações. Para uma atriz, esse tipo de permanência é um presente”, comenta.
As vilãs também ocupam um lugar especial em sua trajetória. Personagens como Isabela, de A Próxima Vítima, e a atual Tânia Flores, em Festa no Arraial, demonstram a versatilidade de Ohana. Ela se sente atraída por esses papéis pela oportunidade de explorar lados diferentes e complexos da natureza humana, adicionando profundidade e nuances às suas interpretações.





