Aos 56 anos, o empresário artístico Marcus Montenegro mantém uma postura crítica sobre as mudanças estruturais no mercado audiovisual brasileiro. Há mais de uma década, ele lidera um movimento focado em combater o etarismo na televisão, denunciando a escassez de oportunidades para atores com mais de 50 anos em produções de teledramaturgia.
A mudança no perfil dos elencos nacionais
Segundo o empresário, uma transformação significativa na escalação de atores tornou-se evidente a partir de 2015. Ele aponta que houve uma inversão preocupante na composição dos elencos, que anteriormente eram majoritariamente formados por profissionais experientes. O fenômeno, descrito por ele como uma juvenilização acentuada da televisão, tem relegado artistas veteranos a papéis periféricos ou à exclusão do mercado.
Mobilização nacional pela valorização profissional
Em 2020, a preocupação de Marcus Montenegro ganhou contornos de uma campanha estruturada intitulada Eu Quero Veterano na TV. A iniciativa obteve grande adesão da classe artística, contando com o apoio de mais de 200 atores que gravaram vídeos em defesa da permanência e valorização dos profissionais de longa carreira. O movimento agora entra em uma nova fase, com o slogan Diga Não ao Etarismo, visando ampliar a discussão para todo o mercado audiovisual.
O impacto dos influenciadores na dramaturgia
Outro ponto central da análise do empresário é a influência crescente das redes sociais nas decisões de elenco. Marcus Montenegro critica a prática de priorizar o número de seguidores e o engajamento digital em detrimento da formação técnica e do DRT. Para o agenciador, essa estratégia representa um risco à qualidade das produções, uma vez que a popularidade online não garante, necessariamente, o talento artístico necessário para a atuação.
Busca por equilíbrio e reparação histórica
Apesar das críticas contundentes, o empresário observa sinais de que o mercado começa a buscar um novo equilíbrio entre as novas gerações e os artistas experientes. Ele estabelece um paralelo com as pautas de reparação histórica, argumentando que a presença de veteranos é fundamental para a fidelização do público. Para mais informações sobre o cenário artístico, acompanhe as atualizações da CARAS Brasil.





