Muito antes de assumir o comando do Ministério da Cultura em 2023, a cantora e compositora Margareth Menezes já dedicava parte de sua trajetória ao impacto social na Bahia. Em 2004, a artista fundou a Associação Fábrica Cultural, uma organização sem fins lucrativos situada na Península de Itapagipe, em Salvador.
O projeto foi instalado no bairro da Ribeira, região onde a cantora cresceu e deu seus primeiros passos na música. O objetivo central da iniciativa sempre foi promover o desenvolvimento de jovens e adultos em situação de vulnerabilidade, utilizando a arte, a educação e a capacitação profissional como ferramentas de transformação econômica.
A sede da entidade ocupa um galpão histórico que pertenceu à antiga Fábrica de Tecidos Santa Veridiana. O local tornou-se um ponto de referência na orla da Baía de Todos-os-Santos, oferecendo cursos de serigrafia, costura, artesanato e formação musical, sempre conectando a cultura afro-baiana às necessidades do mercado de trabalho.
Mercado Iaô e o fomento à economia criativa
Um dos pilares mais visíveis da associação é o Mercado Iaô. O espaço funciona como uma plataforma de intercâmbio, onde artesãos, designers, culinaristas e músicos locais podem comercializar seus produtos e realizar apresentações artísticas. A iniciativa é reconhecida por estimular a circulação de renda dentro da comunidade, oferecendo visibilidade para talentos da periferia.
Além disso, a entidade desenvolveu o programa Acelera Iaô, focado na capacitação técnica de microempreendedores. As trilhas de aprendizagem priorizam negócios geridos por mulheres e pessoas negras, oferecendo suporte em áreas como precificação, planejamento de marca e marketing digital.
Legado e transição para o governo
Margareth Menezes esteve à frente da presidência da Fábrica Cultural por quase duas décadas. Em 2023, ao aceitar o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para integrar o governo federal, a artista precisou se desvincular das funções executivas da ONG para cumprir as exigências legais de seu novo cargo público.
Mesmo com a mudança de sua fundadora para Brasília, a instituição segue em operação. Atualmente, o trabalho é conduzido por uma equipe técnica autônoma, mantendo o atendimento gratuito e as parcerias com o setor público e privado. Em março de 2024, a associação completou 20 anos de atividades, consolidando-se como um pilar de valorização das manifestações populares em Salvador.





