Com uma trajetória consolidada no teatro, cinema e televisão brasileira, o ator Paulo Betti, de 74 anos, mantém uma conexão profunda com o bairro do Itanhangá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Há quatro décadas, o artista escolheu a região, cercada por vegetação, como seu lar, estabelecendo um vínculo que vai muito além de um simples endereço residencial.
A residência do ator, um imóvel de dois andares, tornou-se um verdadeiro guardião de suas memórias. Em visitas recentes, Betti abriu as portas de sua biblioteca particular, onde mantém registros fotográficos, objetos de família e o emblemático caderno de anotações que serviu de base para sua obra Autobiografia Autorizada.
O local, que mescla conforto e história pessoal, ganhou destaque especial durante o período da pandemia. Foi dentro de sua própria casa que o veterano das novelas adaptou e apresentou o monólogo que narra sua trajetória, utilizando os ambientes do imóvel como cenário para a performance.
Origens e conexão com a natureza
A escolha pelo Itanhangá não foi por acaso. Natural de Rafard, no interior de São Paulo, o ator cresceu em um ambiente marcado pela simplicidade e pela forte presença da natureza. Ao encontrar um residencial na Zona Oeste carioca que preserva áreas de floresta e até ruínas históricas, Betti sentiu uma identificação imediata com suas raízes familiares.
Essa relação afetiva com o território será tema central na continuação de sua autobiografia. O artista, que costuma explorar a região a pé ou de bicicleta, destaca que viu a localidade se transformar ao longo das últimas quatro décadas, integrando o bairro completamente à sua rotina pessoal e profissional.
Trajetória de sucesso e memória
A carreira de Paulo Betti teve início após sua formação na Escola de Arte Dramática da USP, consolidando-se como um dos nomes mais respeitados da dramaturgia nacional. O ator, que é filho de uma camponesa e descendente de imigrantes italianos, sempre utilizou suas vivências pessoais como combustível criativo.
O grande caderno de anotações que o acompanha desde a adolescência permanece como o pilar de seu processo de escrita. Ao revisitar essas memórias dentro de seu refúgio no Rio de Janeiro, Betti reafirma a importância de preservar o passado enquanto continua a construir sua história no cenário artístico brasileiro.





