A 1.200 metros de altitude, nas montanhas da Serra da Mantiqueira, o designer têxtil Renato Imbroisi, de 65 anos, construiu um refúgio que celebra a simplicidade e a cultura mineira. Localizada no povoado de Muquém, a propriedade é um projeto de vida que começou em 1984, quando o artista visitou a região para pesquisar técnicas de tecelagem manual com artesãs locais.
O que inicialmente era apenas um ponto de pesquisa transformou-se em um complexo de moradias que valoriza o artesanato e a integração com a natureza. O sítio, que se tornou um símbolo de desaceleração, é utilizado pela família como um espaço de convivência e preservação de memórias afetivas, longe do ritmo acelerado dos grandes centros urbanos.
A trajetória de ocupação do terreno foi gradual. A primeira edificação, conhecida como Casa Amarela, era uma estrutura básica sem acesso a energia elétrica ou telefone. Com o passar dos anos e o crescimento da família, o designer expandiu o espaço, mantendo sempre a estética rural e o respeito às tradições arquitetônicas da região mineira.
Arquitetura e design no sítio de Renato Imbroisi
Um dos destaques do local é a chamada Casa Azul, uma construção que homenageia o estilo caipira tradicional. O ambiente é equipado com um fogão a lenha, essencial para enfrentar as baixas temperaturas da serra, que podem chegar a níveis negativos no inverno. A decoração é composta por elementos artesanais, incluindo ladrilhos hidráulicos produzidos em Minas Gerais e peças garimpadas pelo designer em suas viagens pelo país.
Mais recentemente, o artista passou a utilizar a Casa Rosa, um espaço planejado para integrar a sala de estar e a cozinha. O projeto prioriza a entrada de luz natural e o uso de cores vibrantes, como o azul, o rosa e o verde, que refletem a personalidade do morador e sua conexão com a estética popular brasileira.
Conexão familiar e preservação cultural
O sítio não é apenas um espaço de moradia, mas um ponto de encontro entre gerações. O local, que serviu de cenário para a infância dos filhos de Renato, hoje recebe seus netos, mantendo viva a tradição de brincadeiras ao ar livre e o contato direto com a natureza. A propriedade é cercada por vegetação nativa e cachoeiras, reforçando o propósito de uma vida conectada às origens.
Para o designer, a casa deve ser um reflexo da alegria e da história de quem a habita, evitando modismos passageiros. O refúgio na Mantiqueira atua, assim, como uma extensão de sua carreira, unindo o design têxtil, a arquitetura tradicional e a valorização do saber artesanal em um ambiente que permanece em constante transformação.
Para saber mais sobre o trabalho do designer, acesse o site oficial da Casa GNT.





