Após mais de cinco décadas de uma trajetória que transformou a música brasileira, a dupla Chitãozinho e Xororó decidiu olhar para trás. O novo projeto, intitulado Meninos de Roça, funciona como uma imersão nas origens dos artistas, resgatando as memórias, os desafios da infância e os sonhos que impulsionaram o início de suas carreiras.
O que começou como um registro audiovisual intimista, gravado com a presença de familiares e amigos próximos, agora ganha uma nova dimensão. Os cantores decidiram levar a emoção desse trabalho para os palcos, permitindo que os fãs acompanhem de perto essa celebração da própria história. A estreia da turnê está marcada para o dia 3 de outubro, no Suhai Music Hall, em São Paulo.
Para Chitãozinho, a transição do estúdio para o palco é uma forma de compartilhar um sentimento que, até então, estava restrito ao círculo mais privado. “A gravação do audiovisual foi um momento mais reservado, cercado pela nossa família, amigos e pessoas queridas, e ficamos com muita vontade de dividir toda aquela emoção também com o público”, explica o artista.
Resgate de memórias e gratidão
Para Xororó, o processo de criação de Meninos de Roça foi uma oportunidade de reencontrar a criança que existia antes da fama. O cantor destaca a importância da base familiar em sua trajetória. “Tem saudade da infância, dos momentos felizes, das pessoas que fizeram parte da nossa caminhada e, principalmente, uma gratidão enorme pela nossa família, que acreditou na gente quando tudo ainda era só um sonho”, afirma.
Chitãozinho complementa lembrando a simplicidade da vida no interior, onde o lazer era pautado por brincadeiras na terra e a união familiar. Segundo ele, essas vivências, embora simples, formam o alicerce de quem são hoje. “Não tínhamos muita coisa, mas éramos muito felizes”, recorda.
Uma trajetória marcada por recordes
A dupla construiu um legado impressionante, com mais de 40 milhões de álbuns vendidos e seis prêmios Grammy Latino. Apesar dos números expressivos, eles garantem que o foco nunca foi a busca pelo sucesso comercial, mas sim a busca pela qualidade artística e pelo respeito ao público.
“Sempre tivemos sonhos e vontade de crescer, mas nosso pensamento era fazer um trabalho cada vez melhor”, reflete Xororó. Ele ressalta que a essência de fazer música com verdade foi o que permitiu que a dupla rompesse as barreiras que o gênero sertanejo enfrentava nas décadas anteriores, quando o estilo ainda lutava por espaço nas grandes metrópoles e na mídia.
Inspiração para novas gerações
Com a consolidação do sertanejo como um dos gêneros mais populares do país, a dupla assume hoje um papel de referência. Ao serem questionados sobre o legado, os artistas demonstram humildade e alegria. “É uma honra muito grande quando um artista mais jovem diz que ouviu a gente ou que nossa história serviu de inspiração”, diz Xororó.
Mesmo com décadas de carreira, o entusiasmo permanece intacto. A dupla planeja lançar a parte final do projeto ainda este ano e promete novidades para os fãs, incluindo uma nova edição do “Navio Ch&X”. Para eles, a vontade de subir ao palco e tocar o coração das pessoas continua sendo o motor que mantém a carreira em movimento.





