O ator Tarcísio Meira completaria 91 anos nesta segunda-feira, 5 de outubro. Ícone da dramaturgia brasileira, o artista deixou um legado vasto, com passagens marcantes pelo teatro, cinema e televisão. No entanto, a trajetória que o consagrou como um dos maiores nomes do país quase seguiu um caminho completamente diferente, voltado para a diplomacia.
Nascido em São Paulo, em 1935, Tarcísio Magalhães Sobrinho adotou o sobrenome artístico Meira por uma questão de superstição. O nome completo original somava 13 letras, o que, segundo crenças da época, poderia trazer má sorte. A escolha, que homenageava a família materna, acabou se tornando uma das marcas mais reconhecidas da cultura nacional.
Antes de brilhar nas telas, o jovem Tarcísio tinha planos de ingressar no Itamaraty. Em 1957, ele prestou o concurso para o Instituto Rio Branco, com o objetivo de seguir a carreira diplomática. A reprovação no exame, contudo, funcionou como um divisor de águas, levando-o a explorar o universo das artes cênicas, onde encontrou sua verdadeira vocação.
A transição para a atuação profissional
O próprio ator reconhecia que sua entrada no meio artístico foi circunstancial. Em entrevista à escritora Clarice Lispector para a revista Manchete, ele afirmou que nunca havia planejado ser ator até surgir a oportunidade de integrar um grupo amador. A partir daí, o que era um improviso tornou-se uma carreira sólida e respeitada.
Em 1959, ele estreou profissionalmente na peça “O Soldado Tanaka”, sob a direção de Sérgio Cardoso. A experiência foi o passo inicial para uma trajetória que, pouco tempo depois, o levaria à televisão. Em 1961, durante a produção “Uma Pires Camargo”, ele contracenou pela primeira vez com Glória Menezes, com quem iniciou um casamento que durou quase seis décadas.
Legado na teledramaturgia brasileira
Ao longo de sua vida, Tarcísio Meira acumulou mais de 60 trabalhos na TV Globo, além de atuações memoráveis no cinema e no teatro. Ele deu vida a personagens icônicos, como João Coragem, em “Irmãos Coragem”, e o vilão Renato Villar, em “Roda de Fogo”. Sua capacidade de transitar entre o drama e a comédia o consolidou como um dos pilares da cultura nacional.
O ator faleceu em 12 de agosto de 2021, aos 85 anos, em decorrência de complicações da Covid-19. Mesmo após sua partida, sua obra continua sendo referência para novas gerações de artistas. Para mais detalhes sobre a história do cinema e da TV no Brasil, consulte o portal Memória Globo.





