A indústria automotiva brasileira registrou em setembro o seu desempenho mais expressivo para o mês nos últimos dez anos. Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicam que o setor produziu 268,3 mil unidades, consolidando o melhor resultado para o período desde 2014.
Embora tenha ocorrido uma leve retração de 1,1% frente ao mês de agosto, o volume representa um salto de 10,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado de janeiro a setembro, a fabricação nacional já soma quase 2,2 milhões de veículos, uma expansão de 8,7% em relação ao ciclo precedente.
A entidade ressalta, contudo, que parte desse volume é composta por veículos montados sob os regimes CKD e SKD, que consistem na finalização da montagem no Brasil. De acordo com o balanço, apenas 50 mil das 173 mil unidades adicionais produzidas neste ano foram fabricadas integralmente no território nacional.
Desafios nas exportações e avanço das importações
Enquanto o mercado interno mostra força, o cenário externo permanece desfavorável. As exportações brasileiras de veículos acumulam seis meses de estagnação, mantendo-se abaixo de 40 mil unidades mensais. Em setembro, foram exportados 39,8 mil veículos, uma queda expressiva de 24,2% frente ao mesmo mês de 2025.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, atribui o recuo principalmente à crise econômica na Argentina, destino que absorve grande parte da produção nacional. Além disso, o setor enfrenta uma concorrência crescente de modelos chineses e mexicanos, que têm ganhado espaço no mercado global.
Em contrapartida, as importações de veículos seguem em trajetória de alta, com um crescimento de 34,9% em setembro na comparação anual. Calvet destacou a disparidade entre o aumento das compras externas e a dificuldade de escoamento da produção nacional para outros países.
Projeções revisadas para o fechamento de 2026
Diante do desempenho positivo nas vendas internas, a Anfavea revisou para cima suas estimativas para o final de 2026. A expectativa atual é que o Brasil encerre o ano com 3,1 milhões de veículos emplacados, um patamar não atingido há doze anos. Caso a previsão se concretize, o setor terá um crescimento de 15,2% em relação a 2025.
A produção também teve sua meta ajustada, com a projeção de crescimento subindo de 3,7% para 6,7%. A estimativa é que o volume total supere 2,8 milhões de unidades. Contudo, nem todos os segmentos acompanham esse otimismo: caminhões e ônibus devem fechar o ano com retração de 6,5% nos emplacamentos, refletindo as dificuldades específicas desse nicho de mercado.
Para mais informações sobre o setor, consulte o site oficial da Anfavea.




