O panorama da segurança pública na Bahia ganhou contornos críticos com a divulgação do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O relatório, que analisa os indicadores consolidados do ano de 2024, revela uma profunda desigualdade no território nacional, evidenciando que os municípios médios com mais de 100 mil habitantes, fortemente localizados na região Nordeste, seguem concentrando os maiores índices de violência letal do país.
Em números absolutos, a Bahia desponta como o estado mais violento do Brasil. No entanto, na análise proporcional por 100 mil habitantes, o território baiano ocupa a segunda colocação nacional com uma taxa de 40,9, situando-se atrás apenas do Amapá, que lidera o indicador com o índice de 45,7. Para efeito de comparação, o Brasil registrou uma média de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes no mesmo período.
O protagonismo negativo da Bahia fica evidente no ranking das dez cidades mais violentas do país, onde o estado ocupa seis posições. O município de Jequié, situado no sudoeste baiano, lidera a estatística estadual e aparece na segunda posição nacional com uma taxa de 79,4 assassinatos por 100 mil habitantes, um índice quase quatro vezes superior à média brasileira. Logo em seguida, no norte do estado, Juazeiro surge como a segunda cidade mais violenta da Bahia e a sexta do Brasil, com uma taxa de 71,1.
O levantamento aponta que todas as seis cidades baianas presentes no topo do ranking nacional ostentam taxas de homicídios substancialmente superiores às registradas na capital, Salvador. Além disso, o relatório destaca que este mesmo grupo de municípios já integrava a lista das 20 localidades mais violentas do país no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho de 2025.
O cinturão de violência inclui importantes polos econômicos e regiões metropolitanas:
- Feira de Santana: Ocupa a 7ª posição nacional com uma taxa de 67,0.
- Porto Seguro: Ocupa a 8ª posição nacional com uma taxa de 64,6.
- Simões Filho: Localizada na Região Metropolitana de Salvador, figura em 9º lugar com taxa de 64,0.
- Camaçari: Também na RMS, fecha o Top 10 brasileiro na 10ª posição com taxa de 62,9.
Por sua vez, Salvador foi posicionada na 20ª colocação da lista geral, apresentando uma taxa de 52,7 mortes violentas por 100 mil habitantes. Apesar de figurar abaixo dos índices do interior e da RMS, o indicador confere à capital baiana o título de capital mais violenta de todo o país, posicionada à frente de Maceió (45,9), Macapá (45,6), Recife (45,5) e Fortaleza (42,2).
Homicídios de mulheres
O Atlas da Violência 2026 também dedicou um capítulo analítico à violência de gênero, apontando que a Bahia enfrenta desafios severos no que diz respeito aos homicídios de mulheres. Enquanto a média nacional registra uma taxa de 3,4 mortes a cada 100 mil habitantes, o índice baiano atinge a marca de 5,4. Os estados de Roraima (12,6), Rondônia (5,7) e Ceará (5,7) lideram este ranking específico.
Como ponto de atenuação dentro do cenário crítico, os pesquisadores ressaltaram que, apesar de figurar acima da média do país, a Bahia conseguiu registrar uma redução de 10% nos assassinatos de mulheres no confronto comparativo entre os anos de 2023 e 2024.




