A Polícia Civil da Bahia deflagrou, ao longo desta quinta-feira (18), uma megaoperação interestadual e regional batizada de Operação Pax Terrae (Paz na Terra, em tradução do latim). A ofensiva focou no desmantelamento de uma facção criminosa de alta periculosidade que vinha ditando ordens, comandando o tráfico de entorpecentes e impondo uma rotina de violência no município de Terra Nova.
A ação resultou na prisão de um homem de 30 anos de idade, apontado pelos relatórios do setor de inteligência como o principal líder e chefe operacional da organização criminosa na região. A captura ocorreu em cumprimento a ordens judiciais de prisão temporária e de busca e apreensão domiciliar expedidas pela Comarca local, após meses de campanas e monitoramento técnico de dados.
Arsenal apreendido em Rio Fundo e Paranaguá
O principal alvo da operação foi localizado em um imóvel no distrito de Rio Fundo. No momento da abordagem policial, o suspeito foi flagrado com armas e insumos ilícitos. Na residência, os investigadores apreenderam:
- Uma pistola com a numeração de identificação suprimida (rasgada);
- Uma espingarda e diversas munições de calibres correspondentes;
- Porções prontas para comercialização de maconha e cocaína;
- Dois aparelhos celulares e um notebook;
- Um veículo de passeio e um caderno de anotações com a contabilidade financeira do tráfico.
Dando continuidade aos mandados em cadeia, as equipes se deslocaram para uma segunda propriedade na mesma localidade de Rio Fundo, onde apreenderam milhares de embalagens plásticas vazias utilizadas para acondicionar drogas e mais um smartphone. Em paralelo, outra frente de policiais cercou um imóvel na região conhecida como Paranaguá, também em Terra Nova, localizando e apreendendo novos tabletes de maconha e sacolas com cocaína pura.

Acusações de tortura
Segundo o prontuário de investigações da Polícia Civil, o grupo liderado pelo homem capturado exercia forte opressão territorial. Além do comércio de drogas, a facção é formalmente investigada por executar homicídios dolosos qualificados e realizar sessões de tortura contra moradores e integrantes de grupos rivais que desafiassem as regras da organização na região. O preso foi conduzido sob forte escolta, passou por exames periciais e permanece isolado na carceragem à disposição da Justiça.
Pela complexidade da operação, a Pax Terrae exigiu uma estrutura de força-tarefa coordenada pela 3ª COORPIN (Santo Amaro). A engrenagem policial mobilizou os seguintes departamentos:
- Serviço de Investigação (SI) e Núcleo de Inteligência (NI) da Coorpin/Santo Amaro;
- Delegacia Territorial (DT) de Santo Amaro;
- Grupos de Apoio Tático e Técnico à Investigação (Gattis/Sertão e Sede);
- Delegacias Territoriais de Amélia Rodrigues e Coração de Maria;
- SI da Diretoria Regional de Polícia do Interior (Dirpin/Leste);
- K9 / Canil da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core).
A Polícia Civil da Bahia ressaltou que as diligências de campo e as varreduras rurais continuam ativas nas divisas da região. O foco agora é cruzar as mídias digitais dos celulares confiscados e as anotações do caderno contábil para identificar e localizar os demais integrantes da facção que conseguiram fugir do cerco.




