Operação Sem Lastro prende três suspeitos de fraudar R$ 17 milhões com títulos de crédito em Salvador

Polícia Civil cumpre mandados e prende três pessoas na Operação Sem Lastro em Salvador. Esquema usava empresas veterinárias para fraudes financeiras.

2 min de leitura
policiais civis durante operação sem lastro em salvador
Foto: Pedro Moraes / Ascom-PCBA

A Polícia Civil da Bahia deflagrou, nesta terça-feira (15), a Operação Sem Lastro, que resultou na prisão de três pessoas em Salvador. A ação buscou desarticular uma organização criminosa suspeita de criar e negociar títulos de crédito e recebíveis fraudulentos, incluindo duplicatas sem lastro real no mercado financeiro.

A polícia cumpriu dois mandados de prisão no bairro de Jardim Armação e um no Jardim das Margaridas. Além das prisões, as equipes efetuaram oito mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais, recolhendo celulares, tablets, escrituras, comprovantes bancários e documentos contábeis.

Empresas veterinárias como fachada e divisão de tarefas

Segundo as investigações, o grupo utilizava empresas ativas no comércio e armazenamento de rações e insumos veterinários para simular operações comerciais legítimas. A estrutura permitia a emissão dos títulos falsos negociados no mercado.

notas fiscais apreendidas durante operação sem lastro da polícia civil em Salvador
Foto: Reprodução/ Pedro Moraes / Ascom-PCBA

A apuração detalhou a divisão de funções entre os envolvidos:

  • Área financeira e comercial: O homem preso em Jardim Armação criava, falsificava e negociava os títulos. Ele praticava o “autopagamento” com recursos das próprias empresas do grupo para simular capacidade financeira. Mesmo investigado, tentou negociar uma nova carteira de títulos falsos no valor de R$ 17 milhões;
  • Área contábil: A mulher detida em Jardim das Margaridas manipulava balanços e dados contábeis para dar aparência de solidez às empresas de fachada;
  • Área patrimonial: A médica-veterinária, esposa do principal investigado, recebeu a transferência de R$ 1 milhão em cotas societárias durante as apurações. A alteração foi acompanhada de um divórcio simulado para ocultar patrimônio, desmentido por publicações de convivência do casal em redes sociais.

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Impacto econômico e falência de comerciantes

O delegado responsável pela operação, José Nélis, explicou que o esquema gerou sérios prejuízos a investidores e pequenos comerciantes, levando algumas vítimas à falência após terem nomes protestados indevidamente por dívidas inexistentes.

“O esquema atingiu comerciantes e investidores, além de diversas pessoas que tiveram seus nomes protestados indevidamente por títulos que não correspondiam a dívidas reais. Os prejuízos foram especialmente graves para pequenos comerciantes, levando alguns deles à falência. A movimentação societária identificada durante as investigações também funcionou como mecanismo de proteção patrimonial, dificultando a localização e eventual recuperação de bens relacionados aos valores obtidos com as fraudes”, detalhou o delegado.

Os três custodiados seguem à disposição do Poder Judiciário. O caso é conduzido pelo Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), que prossegue com as diligências para rastrear o fluxo dos recursos e identificar novos integrantes do grupo.

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Sobre o autor

Magno Araujo Repórter

Magno Araujo é jornalista formado pela Estácio. Atua na cobertura política e, recentemente, passou a explorar também o jornalismo esportivo, com atenção especial as pautas do Recôncavo Baiano.

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