A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (12), a Operação Extinção Zero, voltada a desarticular uma organização criminosa transnacional especializada no tráfico de animais silvestres ameaçados de extinção. A ação mobilizou agentes em diversas cidades baianas, incluindo Salvador, Juazeiro, Feira de Santana, Lauro de Freitas, Jeremoabo, Irecê e Vera Cruz, além de cumprir ordens judiciais em Pernambuco, Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins. No total, a operação executou 17 mandados de prisão e de busca e apreensão. Durante as diligências na capital baiana, um suspeito foi detido em flagrante por maus-tratos a animais, enquanto outros dois alvos da investigação permanecem foragidos.
A investigação que culminou na operação de hoje teve um ponto de partida internacional em fevereiro de 2024, quando as autoridades do Togo, na África, apreenderam um veleiro brasileiro transportando 17 micos-leões-dourados e 12 araras-azuis-de-lear. Essas espécies, símbolos da fauna brasileira e sob alto risco de extinção, estavam sendo levadas para fora do país com documentação CITES falsificada. A partir desse episódio, a Polícia Federal conseguiu rastrear a rota do tráfico e identificar a complexa engrenagem do grupo, que contava com capturadores, financiadores e intermediários espalhados por pontos estratégicos do Norte e Nordeste do Brasil.
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De acordo com o balanço divulgado pela corporação, a organização criminosa operava com alto nível de sofisticação tecnológica, utilizando drones para monitoramento, armamentos para proteção de cargas e aplicativos de comunicação criptografada para dificultar o rastreamento policial. O grupo também fazia uso de contas bancárias em nome de terceiros (“laranjas”) para lavar o dinheiro proveniente da venda ilegal dos animais. Na Bahia, o destaque da operação ficou para a cidade de Juazeiro, onde foram cumpridos quatro mandados de prisão e três de busca e apreensão, consolidando a região como um ponto sensível para a logística desse tipo de crime ambiental.



