O combate ao crime organizado e à asfixia financeira de facções criminosas ganhou um novo e robusto capítulo na manhã desta quinta-feira (11). A Polícia Civil da Bahia deflagrou a Operação Maré Vermelha, uma grande ação interestadual desenhada para cumprir mandados judiciais contra os principais integrantes de uma organização criminosa investigada por tráfico de entorpecentes e lavagem de capitais.
O principal golpe deferido contra a estrutura do grupo foi financeiro: a Justiça determinou o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 100 milhões em bens, imóveis e contas bancárias diretamente vinculadas aos alvos da investigação.
O trabalho de inteligência foi coordenado pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DRACO-LD). Os investigadores mapearam uma estrutura altamente organizada e sofisticada de ocultação e movimentação de dinheiro sujo. O grupo se valia de empresas de fachada, laranjas (interpostas pessoas) e transações bancárias completamente incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos perante os órgãos de fiscalização.
Ciclo do tráfico e monitoramento por tornozeleiras
Conforme apontam os relatórios da Polícia Civil, toda a engenharia financeira do bando tinha como finalidade principal dissimular a origem do dinheiro vivo obtido com o tráfico de drogas. Ao mascarar esses valores por meio de negócios fictícios, a organização conseguia reinserir os recursos na economia formal de forma aparentemente legal.
Durante as incursões de campo que ocorrem nesta manhã, os policiais civis saíram para cumprir ordens de prisão preventiva, além de mandados de busca e apreensão nas residências e sedes comerciais dos suspeitos. O Poder Judiciário também autorizou a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, incluindo a instalação e o monitoramento por tornozeleiras eletrônicas de investigados que responderão ao processo sob vigilância.
Cidades baianas atingidas
Pelo caráter ramificado da organização, a Operação Maré Vermelha ganhou contornos nacionais, com ações integradas sendo executadas pelas Polícias Civis de oito estados da federação:
- Estados envolvidos: Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Amazonas, Mato Grosso, Sergipe e Minas Gerais.
Em território baiano, as equipes táticas e do DRACO-LD saíram às ruas em diferentes regiões do estado, englobando municípios do interior, do Recôncavo e da Região Metropolitana:
- Municípios com mandados na Bahia: Salvador, Ipiaú, Jequié, Feira de Santana, Mucugê, Lauro de Freitas, Santo Antônio de Jesus, Itabuna, Campo Formoso e na Ilha de Itaparica.
A operação policial de larga escala segue em andamento ao longo do dia, com agentes em campo realizando varreduras e cumprindo as ordens judiciais remanescentes.




