Prefeito de Santo Amaro propõe retirada de terreno da UFRB para empresa privada
Proposta de lei reabre debate sobre posse do terreno da antiga Fundição de Aço Tarzan
Resumo da notícia
- A Prefeitura de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, voltou a discutir a posse do terreno da antiga Fundição de Aço Tarzan, cedido à Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) desde 2012 para a construção de seu campus na…
- Em 2012, a Prefeitura cedeu o terreno à UFRB para a construção do campus da universidade em Santo Amaro.
- A nova proposta da Prefeitura não é inédita.
- O projeto de lei do prefeito divide opiniões.
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A Prefeitura de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, voltou a discutir a posse do terreno da antiga Fundição de Aço Tarzan, cedido à Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) desde 2012 para a construção de seu campus na cidade. O prefeito Flaviano Bomfim (UB) enviou à Câmara Municipal o Projeto de Lei 006/2025, que propõe a destinação da área para uma empresa privada, sob o argumento de geração de empregos e crescimento econômico local.

Histórico da doação
Em 2012, a Prefeitura cedeu o terreno à UFRB para a construção do campus da universidade em Santo Amaro. No entanto, a obra nunca saiu do papel. A universidade funciona atualmente na Escola Senador Pedro Lago, cedida pelo município.
O impasse sobre o terreno ganhou destaque nacional em fevereiro de 2023, quando estudantes entregaram um manifesto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita à cidade, pedindo a liberação de cerca de R$ 97 milhões para a construção do campus. Na ocasião, Lula afirmou que a cidade “merece o campus”, mas pediu paciência devido às dificuldades enfrentadas pelo governo no início do mandato.
Tentativas anteriores de retirada da posse
A nova proposta da Prefeitura não é inédita. Em 2020, durante seu primeiro mandato, Flaviano Bomfim já havia tentado reaver a posse do terreno da UFRB para cedê-lo a empresa Orbi Química, mas a pressão popular fez com que vereadores vetassem o projeto. Na época, a Prefeitura alegou que a universidade havia descumprido o prazo de entrega do campus, inicialmente previsto para 2016, e não teria solicitado a revalidação da doação.
A Reitoria da UFRB rebateu, afirmando que não foi comunicada oficialmente sobre a intenção da Prefeitura. “É estranho que em nenhum momento a Universidade tenha sido convidada para algum diálogo ou sequer informada sobre as pretensões da Prefeitura em relação ao local”, destacou a instituição em nota oficial.
Impactos da possível retirada do terreno
O projeto de lei do prefeito divide opiniões. Enquanto aliados do gestor municipal defendem que a instalação de uma empresa pode criar centenas de empregos diretos e fomentar a economia local, opositores alertam para os impactos ambientais e sociais da mudança. Em 2020, quando Bomfim tentou doar o terreno a empresa Orbi Química, críticos questionaram o impacto ambiental da instalação da empresa na região localizada próxima ao rio Subaé, o que afetaria uma comunidade de pescadores e marisqueiras, que temiam prejuízos ao ecossistema local, especialmente aos manguezais.
Outro ponto levantado é a legalidade da posse. Em entrevista ao Correio da Bahia, em 2020, o então diretor do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (CECULT/UFRB), Danillo Barata, questionou a legalidade do Projeto de Lei que revogaria a posse do terreno. Segundo Barata, se o terreno ainda pertencesse à Prefeitura, não haveria necessidade de um projeto de lei para transferir a titularidade. “É mentira e não se sustenta. Se fosse da Prefeitura, ela poderia fazer destinação direta”.
A única oposição ao prefeito na Câmara Municipal é feita pela vereadora Luana Carvalho (PT) que utilizou de suas redes sociais para dizer que a atual gestão quer doar o terreno para uma empresa de atacadão de alimentos. “Hoje quer ceder para implantação de um atacadão dos companheiros de partido”, disse a vereadora.
Assista:
A proposta ainda será votada pelos vereadores de Santo Amaro nesta quarta-feira (12), às 17h30. Caso o projeto seja aprovado, a UFRB pode recorrer à Justiça para manter a posse do terreno.
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Sobre o autor
Magno Araujo é jornalista formado pela Estácio. Atua na cobertura política e, recentemente, passou a explorar também o jornalismo esportivo, com atenção especial as pautas do Recôncavo Baiano.




