TSE proíbe uso de IA na reta final das Eleições 2026

Novas normas vedam o uso de conteúdos sintéticos 72 horas antes da votação e proíbem que algoritmos recomendem candidatos; plataformas digitais deverão apresentar planos de prevenção contra desinformação

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urna eletrônica
Foto: Divulgação/TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu um passo histórico para tentar blindar a democracia contra as armadilhas digitais. Na última segunda-feira (2), a Corte aprovou por unanimidade as resoluções que ditarão as regras para as Eleições 2026. O grande foco do pacote de medidas é o controle rigoroso da Inteligência Artificial (IA), com o objetivo de evitar que manipulações tecnológicas decidam o voto do eleitor na última hora.

A medida mais impactante proíbe a circulação de qualquer conteúdo gerado por IA nas 72 horas que antecedem a eleição e nas 24 horas seguintes ao pleito. De acordo com o ministro Nunes Marques, a intenção é “excluir surpresas indesejadas no período mais crítico do processo eleitoral”. Com isso, vídeos, áudios ou imagens que alterem a manifestação de candidatos através de sistemas sintéticos estão banidos nesse intervalo.

Algoritmos na mira e responsabilidade das plataformas

Além do conteúdo visual, o TSE mirou na lógica de recomendação das ferramentas de busca e assistentes virtuais. As novas regras vedam que sistemas de IA recomendem candidatos, mesmo que o eleitor peça essa sugestão. Segundo Nunes Marques, a restrição serve para “impedir a interferência algorítmica no processo decisório de definição do voto.”

No entanto, especialistas como o advogado Guilherme Barcelos apontam para uma possível “zona de penumbra”, questionando se a resposta de uma IA sobre qual candidato se adequa às ideias de um cidadão seria considerada uma indicação ilegal. Outros pontos fundamentais aprovados incluem:

  • Planos de Conformidade: As redes sociais deverão detalhar como vão agir para mitigar riscos, em uma lógica de “prevenção e não de correção de danos”, como define o professor Bruno Bioni.
  • Punições Severas: Haverá responsabilidade solidária para provedores que não removerem conteúdos falsos de imediato.
  • Combate à Baixaria: Fica proibida a violência política digital, especialmente a manipulação de imagens envolvendo sexo ou nudez, além do banimento de perfis falsos e automatizados.

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Apesar do avanço jurídico, o grande ponto de interrogação é a execução dessas leis na prática. Para Fabiano Garrido, do Instituto Democracia em Xeque, “a eficácia dessas normas exigirá capacidade técnica de monitoramento contínuo e cooperação estruturada com universidades, centros de pesquisa e organizações da sociedade civil.”. O especialista alerta que, sem uma rede ágil e qualificada, a regulação pode se tornar inefetiva perante a “velocidade e da sofisticação do ecossistema digital”.

As resoluções completas serão publicadas oficialmente até o dia 5 de março, servindo como o manual definitivo para a disputa presidencial e estadual que se aproxima.

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Sobre o autor

Magno Araujo Repórter

Magno Araujo é jornalista formado pela Estácio. Atua na cobertura política e, recentemente, passou a explorar também o jornalismo esportivo, com atenção especial as pautas do Recôncavo Baiano.

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