Sexta-feira, 30 de outubro de 2026 03:54
Política

Vorcaro diz em delação que ACM Neto e Rueda receberiam R$ 200 milhões do Banco Master

Propostas de delação do ex-banqueiro foram rejeitadas pela PF e pela PGR; ACM Neto chama acusações de "fantasiosas e mentirosas"

4 min de leitura
ACM Neto em entrevista
Foto: Divulgação/Assessoria

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que o candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, teriam recebido ou deveriam receber 10% dos valores aportados no Banco Master por institutos de previdência. As informações são do colunista Cézar Feitoza, do UOL.

Segundo o relato de Vorcaro, a atuação dos dois teria ajudado o banco a captar recursos de fundos de previdência do Rio de Janeiro, do Amapá e do Amazonas, além da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).

O que diz a proposta de delação

De acordo com a terceira proposta de delação apresentada por Vorcaro, ACM Neto e Rueda teriam atuado para abrir as portas do Banco Master nos institutos de previdência do Rio, do Amapá e do Amazonas, além da Cedae. Segundo o banqueiro, essa movimentação teria resultado em captação de R$ 2 bilhões pelo Master.

Na versão de Vorcaro, uma comissão de 10% teria gerado obrigação de R$ 200 milhões com os dois políticos — mas o banqueiro não informou quanto teria sido efetivamente pago.

Segundo o documento, os pagamentos teriam sido frequentes a ponto de o Master manter uma espécie de conta corrente gerencial para ACM Neto e Rueda. Vorcaro também afirmou que os dois teriam intermediado negócios do banco, incluindo captação de investidores institucionais e articulação junto ao Banco de Brasília (BRB), mediante pagamento de vantagens indevidas.

Formas de pagamento descritas pelo banqueiro

Para ACM Neto, Vorcaro descreveu quatro formas de repasse: pagamentos em espécie por meio de recursos de empresas e pessoas ligadas a Augusto Lima e Antônio Freixo; contratos entre a A&M Consultoria LTDA e o Banco Master; contratos entre a A&M Consultoria LTDA e a Reag; e contratos com a B6 Capital, gestora ligada a ACM Neto.

No caso de Rueda, os pagamentos teriam ocorrido em espécie, por meio de empresas ligadas a Augusto Lima e Antônio Freixo, e por contratos entre empresas do Master e o escritório Rueda & Rueda Advogados — que, somados, previam cerca de R$ 3 milhões por mês, segundo o relato do banqueiro.

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Relação descrita com o BRB

A proposta também descreve uma reunião entre Vorcaro, Rueda e Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, na casa de Rueda, em Brasília, em junho de 2024. Segundo o relato, Rueda e Costa teriam pedido que Vorcaro conseguisse, em dois ou três dias, cerca de R$ 1 bilhão para cobrir um aumento de capital do BRB.

Vorcaro afirmou que Costa teria se comprometido a comprar ativos do Master por até dez vezes o valor investido pelo banqueiro. O grupo de Vorcaro teria aportado cerca de R$ 750 milhões no BRB, que, no mesmo período de 2024, teria comprado cerca de R$ 6 bilhões em carteiras do Master. Segundo o banqueiro, Rueda e Costa passaram a exigir comissão de 10% sobre os valores desembolsados pelo BRB, a ser dividida entre Rueda, Costa e ACM Neto.

Valores aplicados pelos fundos

Os dados citados na reportagem apontam que quatro instituições aplicaram cerca de R$ 3,62 bilhões no Banco Master: o Rioprevidência aplicou R$ 2,97 bilhões entre 2023 e 2025; a Amprev, do Amapá, R$ 400 milhões; a Cedae, R$ 200 milhões; e a Amazonprev, R$ 50 milhões. O total é superior aos R$ 2 bilhões mencionados por Vorcaro, e o documento não explica a diferença.

O que ainda não está claro

A proposta não informa quanto teria sido efetivamente repassado a ACM Neto e Rueda. Das seis formas de pagamento descritas por Vorcaro, apenas uma tem valor associado: os contratos com o escritório Rueda & Rueda Advogados, de cerca de R$ 3 milhões mensais. O documento também não detalha quanto cada fundo de previdência aplicou nem aponta ato específico de ACM Neto ou Rueda junto às instituições — a proposta afirma apenas que os dois teriam “intermediado” os investimentos.

Dados de quebra de sigilo bancário e fiscal do Master e relatórios do Coaf entregues à CPI do Crime Organizado mostram que Vorcaro repassou R$ 6,4 milhões para escritórios ligados a Rueda entre 2022 e 2025 — valor menor que o relatado na proposta de delação. A empresa de consultoria de ACM Neto aparece nas planilhas com R$ 5,4 milhões recebidos entre 2023 e 2025.

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Propostas de delação foram rejeitadas

As propostas de delação de Vorcaro foram negadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), sob alegação de falta de informações inéditas e ausência de garantias para devolução de valores relacionados às fraudes. O banqueiro tenta reabrir as negociações para uma colaboração premiada.

ACM Neto e Rueda negam irregularidades

Procurado pela reportagem, Rueda — candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro e presidente do União Brasil — afirmou ter “dificuldade em se pronunciar sobre documento ao qual não teve acesso” e negou irregularidades.

ACM Neto, candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil, classificou as acusações como “insinuações absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas”.

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Sobre o autor

Magno Araujo Repórter

Magno Araujo é jornalista formado pela Estácio. Atua na cobertura política e, recentemente, passou a explorar também o jornalismo esportivo, com atenção especial as pautas do Recôncavo Baiano.

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