O Instituto Butantan alcançou um marco histórico para a saúde pública global. Um novo estudo de longo prazo, publicado nesta quarta-feira (4) na prestigiada revista Nature Medicine, comprovou que a vacina brasileira Butantan-DV permanece eficaz por pelo menos cinco anos após a aplicação. O imunizante, que já recebeu o aval da Anvisa em novembro do ano passado, destaca-se por ser o primeiro do mundo a oferecer proteção robusta contra a dengue com apenas uma única dose.
Os dados são impressionantes: durante o período de acompanhamento de mais de 16 mil voluntários, nenhuma pessoa vacinada desenvolveu a forma severa da doença ou precisou de hospitalização. A eficácia contra casos graves e infecções com sinais de alerta atingiu 80,5%. Segundo a diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, a estratégia de dose única é um diferencial logístico fundamental, pois evita a evasão comum em esquemas vacinais que exigem o retorno do paciente para reforços.
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Atualmente, a Anvisa autorizou o uso da Butantan-DV para a faixa etária dos 12 aos 59 anos. Embora os testes de segurança em crianças a partir de 2 anos tenham sido positivos, o estudo mostrou que a eficácia entre os menores tende a cair mais rapidamente após os cinco anos iniciais. Por conta disso, o Instituto já planeja estudos adicionais para definir se o público infantil precisará de uma dose de reforço no futuro.
Outra frente de trabalho foca na população idosa, que registra as maiores taxas de mortalidade pela doença. O Butantan conduz testes específicos para entender como o sistema imunológico mais maduro reage à vacina, com resultados previstos para o próximo ano. O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Juarez Cunha, reforça que a soberania nacional na produção desta vacina facilita o abastecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e coloca o Brasil em posição estratégica de negociação internacional.
Foco no SUS e exportação
A prioridade absoluta do Instituto Butantan é garantir que o Sistema Único de Saúde (SUS) receba as doses necessárias para conter as epidemias no Brasil. Entretanto, o horizonte é de expansão: assim que a demanda interna for atendida, o Instituto pretende exportar o imunizante para países vizinhos da América Latina, que enfrentam desafios climáticos e epidemiológicos semelhantes aos nossos. A produção nacional reduz custos e acelera a resposta contra o mosquito Aedes aegypti.


