A proximidade do Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, celebrado em 26 de abril, traz à tona um dado alarmante e muitas vezes invisibilizado: o impacto de traumas severos na saúde do coração. Um estudo baseado na Pesquisa Nacional de Saúde, do IBGE, revela que mulheres vítimas de violência sexual apresentam um risco 74% maior de desenvolver doenças cardiovasculares, como infarto e arritmias, em comparação àquelas que não sofreram tal violência.
O cardiologista Railton Cordeiro, da Hapvida, explica que experiências traumáticas e o estresse crônico atuam como amplificadores dos fatores de risco tradicionais. Quando o corpo permanece em estado de alerta permanente, há uma liberação contínua de hormônios como adrenalina e cortisol. Esse processo biológico eleva a frequência cardíaca, contrai os vasos sanguíneos e, com o tempo, estabelece um quadro de hipertensão arterial que pode ser difícil de controlar apenas com medicamentos.
Além das alterações fisiológicas, o trauma desencadeia mudanças de hábito prejudiciais. É comum que vítimas passem a sofrer com insônia, alimentação inadequada e, em busca de alívio emocional, aumentem o consumo de álcool ou tabaco.
“Muitas pessoas passam a dormir pior, se alimentar mal, praticar menos atividade física e, em alguns casos, aumentam o consumo de álcool ou cigarro. Ou seja, o trauma atinge o coração por múltiplas vias, ao mesmo tempo“, pontua o especialista.
O sistema nervoso simpático é ativado de forma crônica, gerando inflamações que aceleram o desgaste do sistema cardiovascular.
Além da dieta e dos exercícios, o apoio psicológico e o manejo do estresse são pilares essenciais. O médico orienta que sintomas como dor de cabeça na nuca, tontura e falta de ar não devem ser ignorados, funcionando como sinais de que o corpo está sob sobrecarga extrema.
Ansiedade, estresse persistente e esgotamento estão associados ao aumento da pressão, à inflamação e à pior adesão ao tratamento. Na prática, vemos pacientes que até têm acesso à medicação, mas não conseguem manter uma rotina de autocuidado, o que compromete o controle da doença
A longo prazo, o descontrole pressórico associado ao desgaste emocional pode levar a complicações irreversíveis, incluindo o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a insuficiência renal. A prevenção eficaz, portanto, exige que a sociedade e o sistema de saúde olhem para o ambiente emocional do paciente, tratando a mente para proteger o coração.




