O ecossistema de inovação brasileiro atravessa um período de transformação, marcado pela ampliação do acesso a recursos e pelo amadurecimento dos modelos de financiamento. Durante o painel “Fomento à Inovação no Brasil”, realizado no Rio Innovation Week, especialistas destacaram que o país superou barreiras burocráticas históricas, consolidando um ambiente favorável para empreendedores, pesquisadores e startups que buscam viabilizar seus projetos tecnológicos.
O debate, que ocorreu nesta sexta-feira (7), analisou a importância estratégica da inovação para a soberania nacional e a competitividade industrial. A discussão reforçou que o suporte financeiro, antes escasso, agora se apresenta de forma mais diversificada, envolvendo instituições de fomento e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento de longo prazo.
A evolução do fomento à inovação no Brasil
Fábio Cavalcante, coordenador de Relações com o Mercado da Embrapii, pontuou que o cenário atual é o mais promissor desde o início de sua trajetória no setor, em 2010. Segundo o especialista, o governo federal compreendeu que a inovação é um pilar central para a autonomia do país, especialmente após as fragilidades expostas na indústria de saúde durante a pandemia.
O ecossistema conta hoje com uma rede robusta que inclui o BNDES e diversas fundações estaduais de amparo à pesquisa. Essa capilaridade permite que diferentes perfis de empresas encontrem mecanismos de financiamento adequados às suas necessidades específicas de desenvolvimento e risco.
Definições estratégicas e o papel da Finep
Rodrigo de Carvalho, superintendente da Finep, enfatizou a necessidade de uma compreensão mais clara sobre o que define um processo inovador. Para ele, a inovação não deve ser vista apenas como algo disruptivo, mas também como a adaptação de tecnologias existentes para novos sistemas produtivos ou a implementação de soluções que ainda não operam dentro de uma organização.
A visão de longo prazo é fundamental para que o país transforme o fomento em um projeto de nação. Ao identificar essas excepcionalidades tecnológicas, o setor produtivo consegue elevar sua eficiência e garantir maior sustentabilidade econômica frente aos desafios globais.
Estratégias para captação de recursos
A eficácia na busca por editais de fomento exige técnica e alinhamento estratégico. Daniela Longobucco, assessora da diretoria de tecnologia da Faperj, alertou que muitos proponentes falham ao não estudar profundamente os requisitos dos editais. Programas como o Tecnova e o Centelha possuem focos distintos, atendendo desde microempresas até pesquisadores em estágio inicial.
Complementando a visão técnica, Ingrid Reis, CEO da Espiral Soluções Socioculturais e mediadora do painel, destacou que a comunicação é um ativo indispensável. Para a executiva, a capacidade de uma empresa comunicar sua inovação internamente e para o mercado funciona como um acelerador, permitindo que as ferramentas de crédito alcancem maior impacto e capilaridade.
O Rio Innovation Week, realizado no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, reafirmou seu papel como um dos principais palcos de tecnologia do país. Com uma programação extensa, o evento reuniu especialistas para discutir o tema “Simbiose: o futuro não acontece isolado”, consolidando o debate sobre o futuro da inovação brasileira. Mais informações sobre o ecossistema podem ser consultadas no portal oficial da Embrapii.





