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Tempo de tela: criadores de tecnologia impõem limites rigorosos para os próprios filhos

CEOs de tecnologia que desenvolveram plataformas digitais impõem limites rigorosos ao tempo de tela para proteger seus filhos do uso excessivo de

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CEOs que criaram tecnologias 'viciantes' limitam telas dos próprios filhos
Filhos de Bill Gates só usaram celular depois dos 14 anos. (Imagem: Sean Gallup/Getty Images

Em um paradoxo notável, alguns dos principais nomes por trás das tecnologias que moldaram o mundo digital, como smartphones e redes sociais, estão adotando medidas rigorosas para proteger seus próprios filhos do uso excessivo de eletrônicos. Essa postura dos líderes da indústria de tecnologia reflete uma crescente preocupação global com o tempo que crianças e adolescentes dedicam às telas, impulsionando debates e ações legislativas em diversos países.

A decisão de impor limites estritos em casa, conforme destacado por veículos como a Fortune, sublinha a complexidade da relação entre a inovação tecnológica e seus impactos no desenvolvimento infantil. Enquanto suas criações se tornam onipresentes, esses executivos reconhecem a necessidade de moderação para as novas gerações.

Líderes da tecnologia estabelecem regras para o tempo de tela infantil

Um dos exemplos mais proeminentes é o de Peter Thiel, primeiro grande investidor do Facebook e cofundador do PayPal. Para seus dois filhos pequenos, Thiel permite o uso de telas por apenas 1 hora e 30 minutos por semana, controlando rigorosamente o acesso a smartphones e tablets. Essa revelação, feita durante um evento em 2024, causou surpresa na plateia, evidenciando a seriedade de sua abordagem.

A filosofia de restrição é compartilhada por outros magnatas da tecnologia. Evan Spiegel, CEO da Snap e bilionário mais jovem do mundo em 2015, também limitava o tempo de tela semanal de seu primeiro filho a 1 hora e 30 minutos. O cofundador da Microsoft, Bill Gates, adotou uma política semelhante, proibindo seus filhos de usar celulares antes dos 14 anos e vetando a presença de portáteis à mesa de jantar.

Mesmo o cofundador da Apple, Steve Jobs, estabeleceu regras comparáveis, declarando em 2010 que seus filhos não haviam usado o iPad para evitar o tempo de tela excessivo. Mais recentemente, Shou Zi Chew, CEO do TikTok, afirmou que seus filhos são muito jovens para usar o popular aplicativo de vídeos curtos, embora tenha considerado exceções com configurações de proteção de menores, como as aplicadas nos Estados Unidos, que incluem a ausência de anúncios e a proibição de publicação para menores de 13 anos.

Outro nome que expressou preocupação é Steve Chen, cofundador do YouTube, que proíbe seus filhos de assistirem a vídeos curtos, acreditando que o formato pode reduzir a capacidade de atenção e prejudicar o desenvolvimento cerebral. Até mesmo Elon Musk, por sua vez, já manifestou arrependimento por não ter limitado o uso de redes sociais pelos próprios filhos.

Preocupações crescentes com o impacto do uso excessivo de telas

A postura desses líderes reflete um consenso crescente na comunidade científica e entre educadores sobre os riscos do uso desregulado de telas. Um estudo realizado em 2025, envolvendo 100 mil pessoas, associou o acesso frequente a vídeos curtos a um baixo desempenho cognitivo e a declínios na saúde mental. Esses problemas podem afetar indivíduos de diversas faixas etárias, incluindo adultos e idosos, mas são particularmente preocupantes em crianças e adolescentes em fase de desenvolvimento.

Nos Estados Unidos, dados da Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente indicam que usuários entre 8 e 18 anos passam, em média, cerca de 7 horas e 30 minutos por dia assistindo ou utilizando telas. Essa tendência de aumento intensificou-se nos últimos anos, levando ao surgimento do termo “crianças do iPad”, que descreve a geração que cresceu imersa em dispositivos digitais.

Respostas globais à dependência digital em jovens

Diante desse cenário, a preocupação com a dependência digital e seus efeitos levou diversos países a considerar ou implementar legislações para proteger os jovens. Austrália e Malásia estão entre as primeiras nações a anunciar o veto ao uso de redes sociais por menores de 16 anos. França, Reino Unido e Dinamarca também planejam leis semelhantes, sinalizando uma movimentação global para regular o acesso de crianças e adolescentes a plataformas digitais.

Essas iniciativas legislativas, combinadas com as restrições parentais adotadas pelos próprios criadores de tecnologia, reforçam a urgência de um debate mais amplo sobre o papel da tecnologia na vida dos jovens e a necessidade de um equilíbrio saudável entre o mundo digital e o desenvolvimento integral.

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