Operação Red Fox mira o fluxo financeiro do crime organizado
A Polícia Federal deflagrou uma ofensiva estratégica contra a estrutura logística de uma das maiores facções criminosas do país. A Operação Red Fox, realizada em colaboração com o Gaeco/MPF, resultou na prisão de quatro operadores financeiros suspeitos de gerir recursos destinados à compra de armamentos e entorpecentes para o Comando Vermelho, com atuação concentrada no Rio de Janeiro e em outras unidades da federação.
O trabalho investigativo buscou desmantelar o braço financeiro que sustenta as atividades ilícitas da organização. A ação conjunta visa não apenas a detenção dos envolvidos, mas o estrangulamento da capacidade operacional do grupo criminoso através da interrupção de seus fluxos de capital.
Cooperação internacional e prisões estratégicas
A complexidade da rede criminosa exigiu uma atuação que ultrapassou as fronteiras nacionais. Dois dos investigados foram localizados no Suriname, sendo detidos pelas autoridades locais e posteriormente deportados para o Brasil. A prisão formal ocorreu em Belém, no Pará, após o trâmite de cooperação internacional.
Os outros dois alvos da operação foram capturados em território nacional. As prisões ocorreram no Rio de Janeiro e em Tabatinga, no Amazonas, ponto estratégico situado na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, região frequentemente utilizada como rota para o tráfico internacional.
Mecanismos de lavagem e ocultação de ativos
O esquema investigado pela Polícia Federal utilizava métodos sofisticados para dissimular a origem ilícita dos valores. A organização criminosa recorria a uma estrutura composta por empresas de fachada e contas bancárias de terceiros para movimentar o dinheiro obtido com o crime.
- Uso de contas de terceiros para pulverização de valores.
- Realização de depósitos fracionados para evitar alertas de órgãos de controle.
- Utilização intensa de transferências via Pix para agilizar o fluxo.
- Criação de empresas de fachada para conferir aparência legal aos recursos.
Bloqueio de bens e impacto financeiro
Como medida de asfixia econômica, a Justiça Federal determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens e valores que somam até R$ 500 milhões. Esse montante representa um golpe significativo na capacidade de reinvestimento da facção em suas atividades criminosas.
Segundo os dados apurados, apenas um dos suspeitos foi responsável pela movimentação de mais de R$ 150 milhões durante o período investigado. O foco da operação, conforme detalhado pela Polícia Federal, permanece na desarticulação completa das redes de apoio que permitem a continuidade das ações do grupo criminoso em território nacional.




