O ministro Kássio Nunes Marques assume oficialmente a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (12), marcando o início de uma nova gestão na Corte Eleitoral. Ele sucede a ministra Cármen Lúcia, que esteve à frente do tribunal, e terá o ministro André Mendonça como vice-presidente. A transição ocorre em um momento crucial para a justiça eleitoral brasileira, que se prepara para enfrentar desafios inéditos no cenário político.
A nova liderança do TSE tem como pilar central de sua agenda o rigoroso combate ao uso indevido da inteligência artificial (IA) nas eleições de 2026. A preocupação é crescente diante do avanço tecnológico e da capacidade de ferramentas digitais em influenciar o processo democrático, especialmente no que tange à disseminação de desinformação e à manipulação de conteúdos.
Ameaça da Inteligência Artificial à Integridade Eleitoral
Um dos maiores desafios que se apresentam para a justiça eleitoral é o uso crescente da inteligência artificial nas campanhas e na comunicação política. A proliferação de desinformação coordenada, impulsionada por algoritmos e perfis falsos, representa uma ameaça significativa à integridade do pleito. Ferramentas de IA são capazes de simular interações humanas e criar narrativas que podem enganar o eleitorado, tornando a identificação da verdade um processo complexo.
Além disso, a circulação de deepfakes e outros conteúdos manipulados digitalmente é uma preocupação latente. Com a IA generativa, é possível produzir vídeos, imagens e áudios falsos de figuras públicas, incluindo candidatos e personalidades influentes. Essa tecnologia pode ser utilizada para comprometer a imagem de concorrentes, criar cenários fictícios e dificultar a distinção entre o que é real e o que é fabricado durante o período eleitoral, exigindo uma vigilância constante e métodos de verificação robustos.
Regulamentação e Proibições para o Uso de IA
Para mitigar os riscos associados à inteligência artificial, o TSE já implementou medidas preventivas. A Resolução nº 23.755/26, que teve o próprio Nunes Marques como relator, estabelece um marco regulatório importante. Esta norma proíbe expressamente que sistemas de IA realizem comparações, recomendações ou priorização de candidatos, mesmo que haja solicitação direta do eleitor. O objetivo é garantir a neutralidade e a imparcialidade do processo eleitoral, evitando influências algorítmicas na escolha dos votantes.
A resolução também impõe restrições temporais significativas. Nas 72 horas que antecedem a votação e nas 24 horas posteriores, é vedada a divulgação, republicação ou impulsionamento pago de materiais produzidos ou alterados por IA que utilizem imagem, voz ou manifestações de candidatos e personalidades públicas. Adicionalmente, o texto normativo determina que todos os conteúdos gerados por inteligência artificial sejam identificados de forma clara e visível, assegurando a transparência para o público.
Responsabilidade das Plataformas e Colaboração Estratégica
As plataformas digitais, que desempenham um papel central na disseminação de informações, também passam a ter obrigações mais rigorosas sob a nova regulamentação. Elas serão responsáveis pela remoção de conteúdos considerados ilícitos, independentemente de uma decisão judicial prévia. Essa medida visa agilizar o combate à desinformação e aos conteúdos manipulados, minimizando seu impacto durante o período eleitoral.
Na busca por fortalecer a capacidade de resposta do tribunal, a nova gestão estuda a criação de parcerias estratégicas com universidades. O objetivo é estabelecer colaborações que auxiliem na perícia e análise de conteúdos produzidos por inteligência artificial. Essa iniciativa busca ampliar a capacidade técnica de identificação e avaliação de materiais manipulados, evitando sobrecarga na atuação da Polícia Federal e garantindo uma resposta eficiente e especializada aos desafios tecnológicos. Para mais informações sobre a atuação do TSE, visite o site oficial.
Alterações na Composição da Corte Eleitoral
Com a saída da ministra Cármen Lúcia da presidência do TSE, a vaga titular destinada ao Supremo Tribunal Federal (STF) na Corte Eleitoral será ocupada pelo ministro Dias Toffoli. Ele, que atualmente atuava como substituto no tribunal, assume agora a posição de membro efetivo. Essa mudança na composição reforça a continuidade e a experiência na condução dos trabalhos do Tribunal Superior Eleitoral, que se prepara para um período de intensos desafios.




